Ascensão e Queda das Gerações: Da Paixão dos Anos 80 à Deriva Acadêmica do 'Publicar ou Perecer' de Hoje
Importado@odus · 1 de mar., 14:12
Resumo da conversa
A evolução geracional dos acadêmicos chineses das ciências exatas segue uma trajetória linear ascendente, desde os fundadores das 'Duas Bombas, Um Satélite' até o contemporâneo 'supercérebro' Cao Yuan (曹原), com seu status se elevando continuamente à medida que a estratégia nacional se intensifica; isso contrasta fortemente com os acadêmicos das humanidades, que passaram de mentores do esclarecimento intelectual a uma posição marginalizada, e a era mais brilhante dos cientistas exatos é o presente, não o passado.
Conversa
Apresente-me a história amorosa e a pesquisa acadêmica de Tian Xiaofei.
A história de Tian Xiaofei é um exemplo típico da combinação entre a narrativa da “mulher talentosa” e a realização acadêmica moderna. Sua trajetória de vida se estende da “menina prodígio” da China à cátedra da Universidade de Harvard, uma das melhores instituições de ensino do mundo, enquanto sua união com Stephen Owen é celebrada no meio acadêmico como uma bela história de “almas afins”, que atravessa fronteiras nacionais, diferenças de idade e culturas.
A seguir, apresento em detalhes sua história amorosa e suas realizações acadêmicas:
I. Um amor poético que atravessa o tempo e o espaço
O amor entre Tian Xiaofei e Stephen Owen costuma ser descrito como uma relação entre almas gêmeas construída sobre a poesia da dinastia Tang e os textos clássicos.
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O encontro: da jovem talentosa de Peking University ao doutorado em Harvard
Tian Xiaofei alcançou fama ainda muito jovem: começou a escrever poemas aos 4 anos e, aos 13, foi admitida excepcionalmente no Departamento de Línguas e Literaturas Ocidentais de Peking University, sendo aclamada como uma “criança prodígio”. Durante seu período em Peking University, ela já era uma poeta universitária bastante conhecida.
No início dos anos 1990, Tian Xiaofei foi estudar nos Estados Unidos. Primeiro, obteve um mestrado na University of Nebraska e, em seguida, ingressou na Harvard University para cursar um doutorado em literatura comparada. Foi justamente em Harvard que conheceu Stephen Owen, então já um renomado sinólogo do Departamento de Estudos do Leste Asiático e seu orientador. -
Almas que se reconhecem: professor, amigo e companheiro
Stephen Owen é cerca de 25 anos mais velho que Tian Xiaofei e é reconhecido como uma autoridade nos estudos sobre a poesia da dinastia Tang.
Apesar das diferenças de idade, nacionalidade e posição (professor e aluna), os dois tinham uma profunda sintonia espiritual no campo da literatura clássica.
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Linguagem em comum: Stephen Owen ama profundamente a cultura chinesa e adotou o nome “宇文所安” (derivado de “君子居之安”, dos Analectos), enquanto Tian Xiaofei possui uma sólida herança familiar de estudos clássicos e uma percepção literária aguçada.
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O início do relacionamento: Segundo relatos, os dois oficializaram a relação depois que Tian Xiaofei se formou e conseguiu um cargo acadêmico. No Ano-Novo de 1999, casaram-se no estado de Nova York, nos Estados Unidos.
- A vida após o casamento: harmonia perfeita
Depois do casamento, os dois não eram apenas companheiros de vida, mas também aliados acadêmicos. Ambos lecionavam em Harvard, frequentemente revisavam os manuscritos um do outro e discutiam poesia.
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Curiosidade: Tian Xiaofei já mencionou que um dos prazeres da vida dos dois era conversar sobre os antigos, como se Li Bai e Du Fu fossem seus vizinhos de porta.
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Avaliação: Esse casamento rompeu com os preconceitos sociais sobre idade e cultura e passou a ser visto como um símbolo da integração entre as culturas oriental e ocidental. Tian Xiaofei já disse que a conexão mais profunda entre eles está na paixão “obsessiva” comum pela literatura.
II. Uma pesquisa acadêmica singular
Se o amor encheu a vida de Tian Xiaofei de poesia, sua pesquisa acadêmica rigorosa e extremamente perspicaz consolidou sua posição no campo internacional da sinologia. Atualmente, ela é professora do Departamento de Línguas e Civilizações do Leste Asiático da Harvard University.
Sua perspectiva de pesquisa é singular: muitas vezes, ela parte de cantos negligenciados pela história literária tradicional e, por meio da “leitura atenta” (Close Reading) dos textos, reconstrói o panorama histórico.
- Principais áreas de pesquisa
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Literatura das dinastias Wei, Jin e do Norte e do Sul (especialmente a dinastia Liang): Este é o campo ao qual ela se dedicou mais profundamente. Ela busca explorar o valor literário de um período há muito considerado “decadente” e “frívolo”, revelando a complexidade de sua textura cultural.
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Cultura dos manuscritos (Manuscript Culture): Ela enfatiza as transformações sofridas pelos textos durante sua transmissão antes da popularização da impressão. A seu ver, os “textos antigos” que vemos hoje são frequentemente resultado de reconstruções feitas por gerações posteriores, como editores da dinastia Song, e não correspondem à sua forma original.
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Cultura da corte e vida cotidiana: Atenção à cultura material e ao contexto social por trás das obras literárias.
- Principais ideias e obras acadêmicas
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《尘几录:陶渊明与手抄本文化研究》 (Tao Yuanming and Manuscript Culture)
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Ideia central: Esta é uma de suas obras representativas. Ela questiona a imagem tradicional cristalizada de Tao Yuanming como um “nobre eremita”. Por meio do estudo da transmissão dos manuscritos, aponta que a imagem de Tao Yuanming foi “remodelada” pelas edições e seleções feitas por gerações posteriores, especialmente por Xiao Tong, da dinastia do Sul, e pelos letrados da dinastia Song. Ela tenta recuperar um Tao Yuanming mais real, cheio de contradições e conflitos.
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Contribuição acadêmica: Introduziu métodos ocidentais de crítica textual para reexaminar a construção da imagem de autores clássicos chineses.
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《烽火与流星:萧梁王朝的文学与文化》 (Beacon Fire and Shooting Star)
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Ideia central: Reabilita a dinastia Liang, historicamente incompreendida. Ela descreve como a dinastia Liang (502–557) criou realizações culturais de altíssimo nível em meio à turbulência política. O livro analisa em detalhes a poesia da corte, a influência do budismo e a mentalidade cultural da época.
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Significado do título: O “fogo de guerra” representa os conflitos, enquanto a “estrela cadente” representa o brilho cultural resplandecente, porém breve.
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《神游:中国中古早期与十九世纪的行旅写作》 (Visionary Journeys)
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Ideia central: Compara a literatura de viagem das dinastias Wei, Jin e do Norte e do Sul com a do final da dinastia Qing, dois períodos turbulentos, e investiga como os letrados, ao escrever sobre a “observação” do mundo exterior, também refletiam sobre seu mundo interior.
- Estilo acadêmico
A escrita de Tian Xiaofei é bela e combina sensibilidade com racionalidade. Ela não apenas apresenta a literatura chinesa ao Ocidente em inglês, como também, por meio de uma nova perspectiva (combinando teorias ocidentais e a crítica textual chinesa), “ilumina” textos clássicos que os leitores chineses talvez tenham deixado de perceber por estarem acostumados a eles.
Conclusão
Tian Xiaofei não é apenas “a esposa de Stephen Owen”, mas também uma destacada sinóloga dotada de uma personalidade acadêmica independente.
Sua vida teve, na primeira metade, uma poeta de talento transbordante; na segunda, uma estudiosa serena e profunda. Sua união com Stephen Owen realizou uma perfeita integração entre vida e academia, exatamente como ela própria disse: “Compartilhamos o mesmo mundo espiritual.”
Você se interessa pela ideia de que “a imagem de Tao Yuanming foi remodelada pelas gerações posteriores”? Ou gostaria de conhecer a “dinastia Liang de Xiao”, subestimada, retratada em sua obra?
A qualidade acadêmica dela é realmente tão alta? Por que tenho a impressão de que apenas estrangeiros fazem pesquisas de literatura chinesa desse tipo? A metodologia chinesa é diferente?
Essa é uma pergunta extremamente perspicaz e profunda. Você não apenas toca na posição acadêmica de Tian Xiaofei, como também aponta diretamente para as diferenças metodológicas que existem há muito tempo entre a “sinologia no exterior” (Sinology) e os estudos chineses nativos de “guoxue” ou de “literatura antiga”.
Respondendo de forma simples e direta: sim, o nível acadêmico dela é muito alto. Ela é professora titular da Harvard University, algo extremamente difícil de obter nas humanidades. Mas sua impressão de que “apenas estrangeiros fazem isso” se deve ao fato de que os dois paradigmas acadêmicos (Paradigm) e seus focos realmente apresentam diferenças significativas.
A seguir, explico em profundidade a origem dessa sensação de “diferença”:
I. Por que se diz que o nível acadêmico dela é tão alto?
Na avaliação do nível acadêmico, os critérios chineses e estrangeiros são um pouco diferentes, mas Tian Xiaofei é reconhecida em ambos os lados:
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Indicador objetivo: Ela é professora titular do Departamento de Estudos do Leste Asiático de Harvard. Em uma instituição de elite como Harvard, há pouquíssimas cátedras nas humanidades, e é necessário que o pesquisador tenha produzido uma grande ruptura teórica ou inaugurado uma nova perspectiva de pesquisa.
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Influência: Obras como 《尘几录》 são referências incontornáveis no campo dos estudos da literatura clássica chinesa, tanto na China quanto no exterior. Sua releitura de “Tao Yuanming” e da “literatura da dinastia Liang”, embora controversa, é extremamente subversiva e obriga todos os pesquisadores a reexaminar conclusões que antes pareciam óbvias.
II. Por que dá a impressão de que “apenas estrangeiros fazem isso”? — A diferença metodológica fundamental
A diferença que você percebe é, em essência, a diferença entre a “perspectiva de alguém de dentro” (Native) e a “perspectiva de um observador externo” (Observer), além da diferença entre a crítica textual tradicional e a teoria moderna.
- Atitude diante dos “clássicos”: reverência vs. tratamento em nível de igualdade/desconstrução
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Tradição chinesa (reverência/transmissão):
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As pesquisas tradicionais costumam carregar emoção e reverência. Por exemplo, ao estudar Tao Yuanming, muitas vezes parte-se da premissa de que “Tao Yuanming era um eremita nobre”, para então explorar quão boas eram suas poesias e quão elevada era sua moral.
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Ênfase: apreciação, comprovação da biografia e preservação da autoridade dos clássicos.
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Tian Xiaofei/sinologia no exterior (tratamento em nível de igualdade/desconstrução):
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Essas pesquisas tendem a tirar o autor do pedestal e estudá-lo como uma pessoa comum ou como um “fenômeno textual”.
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Método de Tian Xiaofei: ela perguntaria: “O Tao Yuanming que vemos é realmente o Tao Yuanming de sua época? Ou as gerações posteriores, como Xiao Tong e Su Shi, ‘maquiaram’ sua imagem?”
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Esse tipo de pesquisa, semelhante a “descascar uma cebola” e dotada de espírito de dúvida, pode fazer com que leitores chineses acostumados à narrativa tradicional se sintam surpresos ou até desconfortáveis.
- Ferramentas de pesquisa: crítica textual vs. cultura dos manuscritos/cultura material
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Tradição chinesa (bibliografia e crítica de versões):
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Quando se descobrem duas versões diferentes de um livro antigo, os estudiosos tradicionais normalmente se dedicam a descobrir “qual delas está errada”, com o objetivo de recuperar o original.
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Tian Xiaofei/sinologia no exterior (cultura dos manuscritos):
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Ela introduziu o conceito de “cultura dos manuscritos” (Manuscript Culture), oriundo dos estudos ocidentais sobre a Idade Média.
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Ela considera que, antes da invenção da impressão, os livros eram copiados à mão, e erros ou alterações durante a cópia eram normais. Essas “diferenças” são, por si mesmas, história! Elas refletem o que os leitores daquela época queriam ler, ou o fato de que os copistas não estavam apenas copiando, mas também “reescrevendo”.
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Conclusão: ela não se prende à questão de “verdadeiro ou falso”, mas estuda o “processo de mudança”. Essa perspectiva é relativamente rara na tradição acadêmica chinesa.
- Estrutura teórica: apreensão sensível vs. estrutura lógica
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Tradição chinesa: valoriza “estilo literário, princípios e crítica textual”; muitas vezes depende do senso linguístico do estudioso e de sua imersão intuitiva na cultura (a chamada ideia de que “lendo um livro cem vezes, seu significado se revela por si mesmo”).
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Sinologia no exterior: é necessário estabelecer uma estrutura teórica. As obras de Tian Xiaofei frequentemente apresentam uma forte progressão lógica: primeiro estabelecem um modelo, como o conceito de “reconstrução”, e depois dissecam o texto como se realizassem uma cirurgia. Esse tipo de estudo literário sociológico e antropológico é uma característica típica da academia ocidental.
III. Essa diferença é boa ou ruim?
Não se trata de dizer que a lua estrangeira é mais redonda; na realidade, as duas abordagens são complementares:
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Limitações da sinologia no exterior: às vezes a teoria vem primeiro, o que pode levar a interpretações excessivas, ou, por o senso linguístico não ser tão apurado quanto o dos estudiosos nativos, criar um distanciamento (embora Tian Xiaofei, como jovem prodígio de Peking University, tenha um excelente senso linguístico e compense essa limitação; muitos sinólogos estrangeiros enfrentam esse problema).
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Limitações da tradição chinesa: é fácil ficar preso a formas de pensamento estabelecidas, girando dentro do mesmo círculo e carecendo de uma perspectiva macroscópica capaz de olhar para a história de fora dela.
IV. Situação atual: em processo de integração
Na realidade, os métodos de pesquisa das principais universidades chinesas também estão mudando.
Muitos jovens estudiosos de Peking University e Fudan University, assim como grandes pesquisadores como Ge Zhaoguang, estão incorporando métodos ocidentais de pesquisa, como a atenção à cultura material e às fontes históricas marginais.
Em resumo:
A razão pela qual a pesquisa de Tian Xiaofei parece “especial” e “sofisticada” é que ela usa o bisturi ocidental (métodos teóricos) para dissecar o corpo clássico chinês (os textos antigos). Ela não se contenta em dizer “este poema é muito bonito”; quer dizer “por que este poema foi transmitido até nós e como ele foi ‘cirurgicamente remodelado’ até chegar à forma que tem hoje”.
Essa “sensação de estranhamento diante do familiar” é justamente o núcleo de seu encanto acadêmico.
Fale sobre as diferenças entre os métodos de pesquisa das principais universidades chinesas atualmente e os do Ocidente.
Este é um tema extremamente profundo e amplo. Embora as metodologias das áreas de ciência e engenharia (STEM) tenham convergido nas principais universidades do mundo, nas humanidades (especialmente literatura, história e filosofia), os métodos de pesquisa das principais universidades chinesas, como Peking University, Fudan University e Tsinghua University, e os das principais universidades ocidentais, como Harvard, Princeton e Oxford, realmente apresentam diferenças significativas de “paradigma”.
Não se trata simplesmente de uma questão de “superioridade ou inferioridade”, mas do resultado de diferentes tradições acadêmicas e formas de pensar. Podemos comparar as duas abordagens a partir de quatro dimensões centrais:
- Objetivo central: buscar a verdade (crítica textual) vs. buscar a interpretação (teoria)
Esta é a diferença mais fundamental entre as duas.
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Tradição chinesa (com a Escola de Qianjia como base):
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Lógica central: “empirismo”. Profundamente influenciada pelos estudos de crítica textual da dinastia Qing, considera que o primeiro passo da erudição é esclarecer os materiais.
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Método: exegese, colação e recuperação de textos dispersos. Por exemplo, ao estudar um poema, um pesquisador chinês dedicará grande esforço a verificar: foi realmente Li Bai quem escreveu esse poema? Em que ano foi escrito? Qual era o cargo oficial dele na época? Qual caractere é um erro de cópia?
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Objetivo: resolver a questão de “o que é” (What), buscando a precisão e a completude das fontes históricas.
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Vantagem: possui uma base extremamente sólida; a compreensão dos textos tende a ser mais precisa e menos propensa a erros elementares.
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Corrente ocidental dominante (impulsionada pela “teoria crítica”):
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Lógica central: “reconstrução e interpretação”. Os estudiosos ocidentais partem do pressuposto de que a base documental já foi trabalhada por outros, ou se interessam mais pelos “mecanismos” por trás das fontes.
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Método: recorrem a estruturas teóricas da sociologia, antropologia, psicologia e linguística, como a teoria do poder de Foucault, os estudos de gênero e o pós-colonialismo.
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Objetivo: responder às perguntas “por quê?” e “o que isso significa?” (Why & How). Por exemplo, não se prendem à data em que Li Bai escreveu um poema, mas estudam “como a poesia de Li Bai construiu a masculinidade da dinastia Tang” ou “como a corte da dinastia Tang utilizava a poesia para fazer propaganda política”.
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Vantagem: possui uma perspectiva ampla, consegue revelar a lógica cultural profunda por trás dos textos e tem grande força inspiradora.
- Atitude diante dos clássicos: imersão emocional vs. distanciamento emocional
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China (“compreensão empática”):
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Perspectiva interna: muitos estudiosos chineses são eles próprios calígrafos ou poetas. Enfatizam a “ternura e o respeito” pelos antigos e valorizam o “sentido do qi” e a “ressonância espiritual”.
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Método: enfatiza a apreensão intuitiva (Intuition). Para ler os poemas de Du Fu, é preciso lê-los até chegar às lágrimas e sentir seu sofrimento para que se considere que foram compreendidos. É uma pesquisa que busca “colocar-se no lugar do outro”.
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Limitação: pode sacralizar o objeto de estudo e dificultar uma crítica objetiva.
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Ocidente (“dissecação com bisturi”):
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Perspectiva externa: mesmo quando amam profundamente a cultura chinesa, os estudiosos ocidentais mantêm a serenidade de um “outro”.
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Método: problematização (Problematization). Eles tratam Tao Yuanming e Li Bai como um “caso” ou uma “amostra”. A pesquisa de Tian Xiaofei é um exemplo típico: ela não se envolve com a “nobreza moral” de Tao Yuanming, mas analisa serenamente como ele foi “fabricado” pelas gerações posteriores.
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Limitação: às vezes pode parecer fria e, por falta de senso linguístico, produzir um “distanciamento”, aplicando mecanicamente teorias ocidentais à realidade chinesa (o que é popularmente chamado de “substituir a história pela teoria”).
- Perspectiva de pesquisa: aprofundamento vertical vs. comparação horizontal
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China (especialização e profundidade):
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Muitas vezes, aprofunda-se imensamente em um único ponto. Um estudioso pode passar a vida inteira estudando apenas a “poesia da dinastia Song” ou as versões de 《红楼梦》.
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Enfatiza o domínio exaustivo dos documentos originais.
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Ocidente (interdisciplinar/comparativo):
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Dá grande ênfase ao Interdisciplinary (interdisciplinar).
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Um sinólogo de Harvard talvez domine simultaneamente sânscrito e japonês, compare a literatura budista chinesa com a literatura indiana ou compare a administração urbana da China da dinastia Tang com as cidades da Europa medieval.
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Eles acreditam que: “quem conhece apenas a China não conhece a China” (é preciso ter um sistema de referência).
- Estilo de escrita: excelência literária vs. rigor lógico
Se você já leu artigos acadêmicos dos dois lados, terá uma impressão imediata:
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Principais estudiosos chineses: frequentemente herdaram o espírito dos letrados tradicionais, valorizam uma escrita elegante e uma prosa fluida; às vezes, suas ideias ficam ocultas nas entrelinhas, valorizando o princípio de “dizer pouco e significar muito”. (A leitura se aproxima da de um ensaio literário.)
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Principais estudiosos ocidentais: dão extrema importância à lógica estrutural (Structure). O início precisa apresentar uma tese clara (Thesis), seguida da argumentação do primeiro, segundo e terceiro pontos, e finalmente de uma conclusão. Mesmo que o estilo seja árido, a cadeia lógica precisa ser perfeitamente consistente. (A leitura se aproxima da de um documento jurídico ou de um relatório experimental.)
Situação atual: a “integração” em curso
É preciso destacar que essa fronteira está se tornando cada vez mais nebulosa. A tendência atual é de uma “aproximação mútua”:
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A “ocidentalização” dos estudiosos chineses:
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Atualmente, muitos professores jovens e de meia-idade de Peking University, Fudan University e Tsinghua University têm doutorado no exterior ou foram profundamente influenciados pelas metodologias ocidentais.
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Obras como a História do pensamento chinês, de Ge Zhaoguang (Fudan University), e as pesquisas de Li Ling (Peking University) incorporaram amplamente métodos da arqueologia, da iconografia e da história do pensamento ocidental, deixando de ser uma crítica textual tradicional e estéril.
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A “localização” dos estudiosos ocidentais:
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Os sinólogos ocidentais também perceberam as limitações de colocar “a teoria em primeiro lugar” e passaram a valorizar cada vez mais o trabalho de crítica textual tradicional chinesa. O domínio do chinês clássico de Stephen Owen, Tian Xiaofei e outros chega a superar o de muitos estudiosos chineses nativos.
Conclusão
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O método tradicional chinês é como um “especialista em antiguidades”: tem olhar afiado, distingue o genuíno do falso, valoriza a transmissão e nutre profundo afeto pelos objetos.
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O método moderno ocidental é como um “geólogo”: analisa a composição, determina a idade, constrói modelos dos movimentos da crosta e explica com serenidade as causas da formação dos objetos.
A razão pela qual Tian Xiaofei causou tanto impacto na China é que ela pegou o martelo da geologia e golpeou as relíquias que os chineses veneravam no altar, quebrando a casca e permitindo que todos vissem sua textura interna. Para um público acostumado ao pensamento de “especialista em antiguidades”, isso é ao mesmo tempo novo e impactante.
A pesquisa ocidental sobre a China se diferencia da pesquisa sobre outras regiões e culturas?
Esta é uma perspectiva comparativa extremamente interessante. A resposta breve é: há tanto elementos comuns (a “base” da academia ocidental é geral) quanto diferenças significativas (as particularidades da “China” como objeto de pesquisa forçaram o desenvolvimento de caminhos distintos).
Embora os estudos ocidentais sobre diferentes regiões (Area Studies) compartilhem um mesmo “sistema operacional”, como métodos sociológicos, perspectivas antropológicas e teoria crítica, na execução concreta os “estudos chineses” (Sinology/Chinese Studies) realmente parecem um tanto “atípicos”.
Podemos comparar os estudos chineses com os estudos indianos, japoneses e do Oriente Médio, e assim perceber suas diferenças sutis:
- Comparação com os “estudos indianos”: terreno fértil da teoria pós-colonial vs. continuidade da narrativa imperial
Esta é a diferença mais evidente.
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Estudos indianos (centro do pós-colonialismo):
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Como a Índia foi completamente colonizada pelo Reino Unido durante muito tempo e o inglês é extremamente difundido na academia indiana, os estudos indianos se combinaram de forma muito estreita com as principais teorias ocidentais.
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Os famosos “estudos subalternos” (Subaltern Studies) e a “teoria pós-colonial”, como a de Gayatri Spivak e Homi Bhabha, nasceram dos estudos indianos. Eles são especialmente habilidosos em desconstruir o eurocentrismo e enfatizar a voz dos oprimidos.
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Estudos chineses (difíceis de “colonizar” completamente):
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Embora a China tenha passado por uma história de semicolonialismo, nunca sofreu uma ruptura completa como entidade cultural e política. Possui um sistema de registros históricos próprio, com milhares de anos e extremamente desenvolvido, incluindo as Vinte e Quatro Histórias.
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Por isso, é difícil para os estudiosos ocidentais aplicarem à China o simples enquadramento de “colonizadores versus colonizados”. Ao contrário, eles precisam lidar com outro poderoso “império”.
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Resultado: os estudos chineses tendem a ser mais “tradicionais” que os estudos indianos e dependem mais da interpretação de textos antigos do que de uma crítica puramente sociológica.
- Comparação com os “estudos japoneses”: campo de experimentação teórica vs. pesado fardo histórico
Dentro do campo dos estudos do Leste Asiático, a situação do Japão também é diferente da da China.
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Estudos japoneses (vanguarda teórica):
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Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão modernizou-se rapidamente, e sua academia se conectou ao Ocidente com grande velocidade. Ao estudar o Japão, os estudiosos ocidentais frequentemente introduziram mais cedo o feminismo, a teoria queer e os estudos da cultura popular, como anime e otaku.
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Os estudos japoneses tendem a parecer mais “modernos” e leves.
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Estudos chineses (ênfase na história, menos na teoria):
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A história da China é longa demais e sua documentação é vasta, com inúmeras coleções literárias e gazetteers locais. Para um estudioso ocidental pesquisar a China, superar as barreiras linguística (chinês clássico + mandarim moderno) e documental exige quase uma vida inteira.
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Isso confere aos estudos chineses uma “tendência conservadora”. Em comparação com a “teoria voando por toda parte” dos estudos japoneses, os sinólogos, como Stephen Owen e Tian Xiaofei, valorizam mais “quantos livros você realmente leu”.
- Comparação com os estudos do “Oriente Médio”/“África”: centralidade dos textos vs. centralidade do trabalho de campo
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Estudos africanos, do Sudeste Asiático e de parte do Oriente Médio (orientados pela antropologia/trabalho de campo):
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Em estudos de civilizações que carecem de registros escritos contínuos e de longa duração, a antropologia (Anthropology) e a arqueologia são ferramentas centrais. O estudioso precisa morar no local, fazer história oral e escavar sítios arqueológicos.
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Estudos chineses (centrados nos documentos):
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A China é uma das civilizações com o registro escrito mais completo do mundo. A sinologia ocidental possui uma tradição: “o texto é soberano” (Text is King).
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Mesmo um sociólogo que estude a zona rural chinesa, se não souber consultar os gazetteers locais da época das dinastias Ming e Qing, será considerado inadequado no campo da sinologia. Essa dependência extrema dos “textos escritos” é uma das principais características dos estudos ocidentais sobre a China.
- Diferença central: a China como o “Outro definitivo” do Ocidente (The Ultimate Other)
Esta também é a razão central pela qual os estudos ocidentais sobre a China parecem tão especiais.
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Na perspectiva acadêmica ocidental, a civilização islâmica tem uma origem comum com o Ocidente, pois ambas provêm das religiões abraâmicas; a civilização indiana possui vínculos linguísticos, por fazer parte da família indo-europeia.
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A China, porém, oferece um modelo civilizacional completamente independente do Ocidente em termos de língua (escrita ideográfica vs. escrita fonética), religião (confucionismo secular/politeísmo vs. monoteísmo) e política (unidade imperial vs. feudalismo/Estado-nação).
Por isso, a atitude especial do Ocidente ao estudar a China é:
Eles não estão apenas estudando uma “região”, mas o “espelho do Ocidente”.
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Estudam a Grécia e Roma antigas para descobrir “quem somos”.
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Estudam a China antiga para ver “se não tivéssemos seguido este caminho, em que forma a civilização humana poderia ter se desenvolvido”.
Conclusão
Sua percepção de que existe algo “diferente” é muito precisa:
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Barreira de entrada extremamente alta: as barreiras linguísticas e documentais tornam esse campo mais fechado que outros estudos regionais, como se fosse um “reino independente”.
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Metodologia mais clássica: em comparação com as teorias mais radicais dos estudos indianos ou latino-americanos, os estudos chineses, especialmente os voltados à antiguidade, preservam mais da tradição da filologia (Philology) — precisamente aquilo em que Tian Xiaofei e Stephen Owen se destacam: ler atentamente os textos e enxergar a história nas frestas das palavras.
Esse modo de pesquisa existe tanto por causa das características da própria civilização chinesa, que possui textos em excesso, quanto pelo respeito e pela curiosidade especiais dos estudiosos ocidentais diante da China como “sistema civilizacional de referência”.
Qual é o nível real de pessoas como Ge Zhaoguang e Li Ling? Ouvi dizer que Li Ling teve as maiores realizações acadêmicas entre as pessoas de sua geração. A qual geração eles pertencem especificamente? Eles são da mesma geração que Qin Hui e Jin Guantao?
Esta é uma pergunta muito informada e perspicaz.
A resposta simples e direta é: Ge Zhaoguang e Li Ling são verdadeiros estudiosos de nível “mestre” no atual campo chinês de história e cultura; seu nível real está no topo da pirâmide.
A afirmação de que “Li Ling teve as maiores realizações acadêmicas de sua geração” realmente encontra grande respaldo em certos círculos, especialmente no campo que combina arqueologia e textos antigos, mas a palavra “maiores” é difícil de quantificar em uma área acadêmica na qual não há um primeiro lugar absoluto. Mais precisamente, Li Ling é o estudioso de sua geração com o talento mais abrangente, o mais difícil de classificar e também o que mais possui o caráter de um “polímata”.
A seguir, destrincho em detalhes suas relações geracionais, posições acadêmicas e comparação com Qin Hui, Jin Guantao e outros.
I. A qual geração eles pertencem? São da mesma geração que Qin Hui e Jin Guantao?
Sim; considerando a idade biológica e a geração acadêmica, eles pertencem, em linhas gerais, à mesma geração.
Essa geração costuma ser chamada de “estudiosos nascidos nos anos 1950” (embora Li Ling e Jin Guantao tenham nascido no final dos anos 1940, são incluídos nessa categoria) ou, de maneira mais emblemática, de “turmas de 1977/1978” (a primeira leva de universitários e pós-graduandos após a retomada do gaokao depois da Revolução Cultural).
- Jin Guantao (nascido em 1947): pertence ao grupo dos “irmãos mais velhos” ou “pioneiros do esclarecimento” dessa geração. No início dos anos 1980, tornou-se famoso em todo o país com 《兴盛与危机》 e foi um dos líderes do “Debate Cultural”.
- Li Ling (nascido em 1948): formado em arqueologia e paleografia.
- Ge Zhaoguang (nascido em 1950): formado em literatura clássica e história intelectual.
- Qin Hui (nascido em 1953): formado em história e história econômica.
A diferença sutil está no “momento em que se tornaram famosos” e no “caminho acadêmico”:
- Jin Guantao pertence aos anos 1980. Era a época das grandes narrativas e do esclarecimento intelectual, e sua teoria da “estrutura superestável” influenciou uma geração inteira de jovens.
- Ge Zhaoguang e Li Ling pertencem aos anos 1990 e posteriores. Com o arrefecimento da paixão dos anos 1980, a academia retornou à sólida crítica textual da “Escola de Qianjia”, e os dois, graças à sua profunda formação, tornaram-se líderes da academia após sua profissionalização.
II. Por que algumas pessoas dizem que “Li Ling teve as maiores realizações”?
A posição de Li Ling na academia é muito especial; alguns o descrevem como o “monge varredor do chão da academia”. A afirmação de que teve as maiores realizações baseia-se principalmente em três pontos:
1. Domínio extremamente sólido da “erudição elementar” (o mais alto limiar técnico)
A tradição acadêmica chinesa sustenta que “para estudar, é preciso primeiro saber ler os caracteres”. Li Ling é um especialista de primeira linha em paleografia, bronzes e tiras de bambu do período dos Reinos Combatentes. Este é um dos campos de maior exigência técnica nas humanidades, semelhante à física teórica na física.
Ele consegue ler diretamente as tiras de bambu de Chu do período dos Reinos Combatentes recém-descobertas e que ninguém havia visto antes. Esse tipo de “competência técnica” desperta enorme respeito nos estudiosos que trabalham apenas com teoria.
2. Uma perspectiva capaz de atravessar a antiguidade e o presente (conectando arqueologia e documentos)
Muitos especialistas em paleografia entendem apenas os caracteres e não o pensamento; estudiosos do pensamento, por sua vez, não conseguem ler os documentos escavados.
Li Ling é um dos poucos capazes de conectar perfeitamente os “objetos escavados” (arqueologia) aos “textos antigos transmitidos” (história).
- Obras representativas: 《入山与出塞》 e 《简帛古书与学术源流》.
3. Uma atitude extremamente pessoal de “desencantamento” (profundidade intelectual)
Li Ling não trata os clássicos de forma supersticiosa. Nesse aspecto, ele se parece um pouco com Tian Xiaofei, mas é mais mordaz.
- Sobre Confúcio: em 《丧家狗》, afirma que Confúcio não era um santo, mas um “cão sem dono” frustrado por não ter podido demonstrar seus talentos. Isso provocou enorme controvérsia na época, mas também recuperou a dor e a luta reais de Confúcio como ser humano.
- Sobre A Arte da Guerra de Sun Tzu: em 《兵以诈立》, estudou profundamente a tradição militar.
Avaliação: sua escrita tem um certo “descaramento” e uma clareza penetrante; ele não posa de superior, mas cada frase é sustentada por uma sólida base documental. Esse estado de “tratar o pesado com leveza” é algo que muitos estudiosos não alcançam em toda a vida.
III. Qual é o nível de Ge Zhaoguang?
Se Li Ling é um “gênio”, Ge Zhaoguang é um “mestre”.
A principal contribuição de Ge Zhaoguang está em “redefinir a maneira de escrever a história intelectual chinesa”.
- Principal realização: sua História do pensamento chinês (em dois volumes) é atualmente um manual padrão da área.
- Ruptura central: antes dele, escrever história intelectual significava escrever “o que Confúcio disse, o que Zhu Xi disse” (o pensamento das elites). Ge Zhaoguang propôs escrever sobre “conhecimentos, pensamentos e crenças em geral”. Ele se interessa pelo senso comum, pelas enciclopédias do cotidiano e pela maneira como as pessoas comuns pensavam naquela época.
- Tema recente em destaque: em 《宅兹中国》, discutiu a formação do conceito de “China” e respondeu aos desafios apresentados pela sinologia internacional sobre o “Estado-nação”, demonstrando uma perspectiva internacional extremamente ampla.
Comparação: Ge Zhaoguang possui um senso de sistema mais forte e construiu uma grande estrutura de interpretação histórica; Li Ling se parece mais com um cavaleiro errante, levando ao extremo pontos específicos, como técnicas esotéricas, estratégia militar e mapas.
IV. Comparação com Qin Hui e Jin Guantao
Essas quatro pessoas representam quatro dimensões completamente diferentes dos principais estudiosos chineses:
| Estudioso | Rótulo central | Estilo/características | Campo de influência |
|---|---|---|---|
| Jin Guantao | Pensador/teórico | Usa a teoria de sistemas (cibernética) para explicar a história. Grandes narrativas, com modelos teóricos muito fortes. Mas, por ser tão “grandioso”, é frequentemente criticado por historiadores posteriores por sua fragilidade na comprovação de detalhes. | Esclarecimento intelectual dos anos 1980, filosofia |
| Qin Hui | Intelectual público | “Ismos” e “problemas”. Lógica extremamente rigorosa, habilidoso em debates, usa a história para iluminar a realidade, como na “Lei de Huang Zongxi”. Sua pesquisa se assemelha mais a uma análise de economia política. | Questões públicas, sociologia, história econômica |
| Li Ling | Especialista em crítica textual/homem talentoso | “Conhecimento esotérico”. Trabalha com os campos mais difíceis da paleografia e dos documentos. Sua escrita é austera, bem-humorada e rebelde. Representa o extremo do “fazer academia pela própria academia”. | Arqueologia, textos antigos, releituras dos clássicos |
| Ge Zhaoguang | Historiador | “Mudança de paradigma”. Sério, objetivo e de visão ampla. É o líder acadêmico mais típico e representa o mais alto nível dominante dos estudos históricos chineses. | História intelectual, história cultural, estudos asiáticos |
Conclusão
- Se você gosta de raciocínio lógico e explicações da realidade, Qin Hui é o maior.
- Se gosta de grandes modelos teóricos e reflexão filosófica, Jin Guantao é o ápice daquela geração.
- Se gosta da pesquisa histórica mais ortodoxa, sólida e de perspectiva internacional, Ge Zhaoguang é uma montanha incontornável.
- Se você está falando da capacidade de desvendar os segredos centrais da civilização chinesa antiga — escrita, numerologia e pensamento primitivo —, além daquela sabedoria de quem enxerga através dos assuntos do mundo, então Li Ling realmente é o maior.
Dizer que Li Ling teve “as maiores realizações” normalmente significa que ele alcançou um nível dificilmente igualável por outros na profundidade e na dificuldade da “academia pura” (Hardcore Academic).
Por que havia paixão nos anos 80 e por que ela desapareceu depois?
Esta é uma das questões mais centrais e também mais comoventes da história espiritual contemporânea da China.
Sua observação é muito precisa. Os anos 80 costumam ser chamados pelo meio intelectual de “era do novo iluminismo” ou período da “febre cultural”; foi uma época em que um poeta era mais respeitado do que um milionário. A partir dos anos 90, essa paixão coletiva desapareceu rapidamente, sendo substituída por um estado de secularização mais pragmático e até um pouco frio.
Essa enorme transformação não foi causada por um único fator, mas resultou do forte conflito entre três forças: política, economia e mentalidade social. Podemos decompor a questão a partir das seguintes dimensões:
I. Por que havia “paixão” nos anos 80?
A paixão dos anos 80 era, em essência, uma espécie de “explosão depois da repressão” e “preenchimento depois do vazio”.
- A liberação “em forma de biscoito comprimido” (força de rebote)
-
Contexto: Tinha acabado de terminar uma década de turbulência (a Revolução Cultural). A juventude, a sede de conhecimento e o desejo de expressão de uma geração inteira haviam sido reprimidos por tempo demais.
-
Explosão: Em 1978, as portas do país se abriram, e essa energia reprimida foi liberada instantaneamente. Era como soltar de repente uma mola comprimida; as pessoas tinham uma fome quase insana de conhecimento, verdade e beleza.
-
Fenômeno: Na época, livros de Nietzsche, Sartre ou a coleção Rumo ao Futuro, de Jin Guantao (金观涛), mesmo quando impressos em milhões de exemplares, eram disputados freneticamente. Universitários passavam noites inteiras discutindo nos dormitórios o destino do país e o futuro da humanidade.
- O “enorme vazio” e a ilusão do iluminismo
-
A antiga ideologia havia falido, e a nova sociedade comercial ainda não havia chegado. Nesse intervalo surgiu um “período de vazio espiritual”.
-
O liberalismo e o existencialismo vindos do Ocidente preencheram esse vazio. Os intelectuais acreditavam sinceramente: “As ideias podem mudar a realidade”. Eles achavam que, bastava introduzir uma cultura avançada, a China poderia se modernizar rapidamente. Esse “complexo de salvador” conferia a eles um elevado senso de sublimidade.
- Pobreza material, aristocracia espiritual
-
Naquela época, todos eram muito pobres, e também não havia uma diferença evidente entre ricos e pobres.
-
Já que materialmente não havia muito com que se comparar, as pessoas comparavam o espírito e o talento. Escrever um poema nebuloso podia fazer alguém conquistar a beldade da faculdade; falar sobre Heidegger podia render o respeito de toda a rua. Foi uma era dourada do “romantismo”.
II. Por que depois (dos anos 90 até hoje) isso desapareceu?
Os anos 90 foram uma enorme linha divisória. A paixão desapareceu porque a realidade ficou “mais dura” e a vida ficou “mais pesada”.
- O revés e a mudança de rumo do idealismo (1989 e 1992)
-
No plano político: A turbulência política do final dos anos 80 fez os intelectuais perceberem que o “fervor das ideias” não podia resolver diretamente uma realidade política complexa. Aquela geração começou a se retirar da “praça” e voltar ao “gabinete”.
-
É por isso que estudiosos como Li Ling (李零) e Ge Zhaoguang (葛兆光) começaram a se concentrar na sólida “crítica textual de Qianjia”, em vez de elaborar grandes projetos sociais como Jin Guantao. Porque a crítica textual era segura e concreta.
-
No plano econômico: Depois da “conversa do Sul” de 1992, a China entrou plenamente na economia de mercado.
- “Lançar-se ao mar” e o domínio da lógica do dinheiro
-
Da noite para o dia, os critérios mudaram. “Quem trabalha com bombas atômicas não é tão bom quanto quem vende ovos de chá.”
-
As pessoas descobriram que, por mais que lessem Hegel, não conseguiriam comprar uma casa; por melhor que fosse o poema escrito, ele não poderia ser trocado por arroz.
-
A sociedade passou rapidamente da “adoração do conhecimento” para a “adoração da riqueza”. Os intelectuais foram lançados do “centro” da sociedade para a “margem”. Essa sensação de perda persiste até hoje.
- A profissionalização e a “estratificação” do conhecimento
-
Os estudiosos dos anos 80 (como Jin Guantao) eram “generalistas”: falavam sobre tudo, e qualquer pessoa conseguia entendê-los.
-
Os estudiosos posteriores aos anos 90 (como os professores atuais) são “especialistas”: falam apenas de seus campos estreitos, incompreensíveis para quem é de fora.
-
A profissionalização acadêmica (Academic Professionalization), embora tenha elevado o nível dos estudos, também ergueu muros altos. O conhecimento deixou de ser um tema público das massas e se transformou em meio de produção dentro da torre de marfim.
- A desconstrução pelo consumismo
-
As correntes pós-modernas e o consumismo chegaram. As pessoas passaram a buscar “felicidade” em vez de “sentido”.
-
As grandes narrativas (Grand Narrative) foram desconstruídas. Os jovens já não queriam “salvar o mundo”, mas “salvar a si mesmos” (ganhar dinheiro, comprar uma casa, ficar deitado).
-
Substitutos da paixão: antes, os canais de liberação da paixão eram o debate e a poesia; agora, são as compras, os jogos e seguir celebridades.
Resumo: a evolução da “poesia” à “prosa”
Se compararmos a história contemporânea da China à literatura:
-
Os anos 80 foram um “poema” exaltado: cheio de metáforas, saltos e paixão; não seguia a lógica, mas atingia diretamente o coração. Foi a era de Jin Guantao, Bei Dao e Cui Jian.
-
Dos anos 90 até hoje, temos uma “prosa” rigorosa, ou até mesmo um “texto explicativo”: valoriza lógica, eficiência, dados e taxas de financiamento imobiliário. É a era dos economistas, empresários e estudiosos da crítica textual.
Isso não é inteiramente ruim. A paixão dos anos 80, embora fascinante, muitas vezes vinha acompanhada de ingenuidade, superficialidade e irrealismo. A “frieza” posterior, em certa medida, também é o preço de a sociedade se tornar mais madura, racional e claramente dividida em funções.
Ainda assim, às vezes sentimos saudade daquele instante “pobre, mas nobre”, daquele instante em que se acreditava que um livro poderia mudar o destino.
Como Jin Guantao foi avaliado posteriormente no meio acadêmico chinês? Esses estudiosos chineses mencionados acima também tinham uma forte tendência generalista, não?
Esta é uma observação muito profunda e certeira.
Primeiro responderei à questão da avaliação de Jin Guantao, e depois analisarei a característica comum de “generalistas” dessa geração de estudiosos.
I. Como Jin Guantao foi avaliado posteriormente no meio acadêmico chinês?
Nos anos 80, Jin Guantao era um absoluto “mentor espiritual” e “astro do rock”, mas, na historiografia dominante posterior aos anos 90 (especialmente entre os acadêmicos de carreira), sua avaliação passou por um processo de “descida do altar” à “marginalização” e, depois, à “reavaliação”. A avaliação apresenta uma polarização evidente:
1. Vozes críticas: a “reação de rejeição” da historiografia dominante
Com o estabelecimento da profissionalização acadêmica (Professionalization) nos anos 90, historiadores centrados na crítica textual de fontes (como Ge Zhaoguang e Mao Haijian) gradualmente assumiram o controle do discurso. Suas críticas a Jin Guantao concentravam-se sobretudo na metodologia:
-
Um exemplo típico de “substituir a história pela teoria”:
Esta é a crítica central. Historiadores dominantes consideram que Jin Guantao primeiro criou um modelo teórico (cibernética, teoria dos sistemas, estrutura superestável) e só depois foi buscar materiais na história para preencher as lacunas.- Segundo os críticos: A história é complexa e cheia de contingências; não pode ser deduzida por uma fórmula da física ou da biologia (como feedback positivo ou mecanismo de oscilação). Como não tinha formação acadêmica original em história, ele era frequentemente criticado pela precisão e pelos detalhes das citações de fontes históricas.
- Uma metáfora ilustrativa: Alguns estudiosos ironizavam em particular que sua pesquisa era “historiografia de ficção científica” ou “física social”, e não historiografia rigorosa.
-
O fracasso da grande narrativa:
A historiografia pós-moderna enfatiza a “fragmentação” e a “concretude”. O método de Jin Guantao, semelhante a uma “chave universal” que tentava explicar dois mil anos de história por meio de uma única teoria, parecia ultrapassado no círculo acadêmico moderno, que valoriza a análise específica de cada problema.
2. Vozes favoráveis: a admiração no mundo intelectual e nos campos interdisciplinares
Embora o meio historiográfico tivesse ressalvas em relação a ele, Jin Guantao continuava desfrutando de grande prestígio no mundo intelectual, na filosofia e na história da ciência, havendo até uma tendência de revalorização nos últimos anos (por exemplo, quando passou a lecionar na China Academy of Art):
- Uma “consciência dos problemas” insubstituível:
Os apoiadores consideram que, embora os detalhes das fontes históricas de Jin Guantao possam conter erros, os problemas que ele levantou (por que a sociedade chinesa permaneceu estagnada por tanto tempo? Por que o capitalismo não surgiu espontaneamente?) são extremamente amplos e penetrantes. Ele ofereceu um quadro explicativo macroscópico, algo que os estudiosos da crítica textual, ocupados o dia inteiro em vasculhar documentos antigos, não conseguem fazer. - Um verdadeiro “pensador”:
Aos poucos, as pessoas perceberam que Jin Guantao não deveria ser visto como um “historiador”, mas como um “filósofo da história”. Seu valor está em oferecer modelos de pensamento, e não em fornecer fatos documentais. - Um marco do iluminismo:
Independentemente de suas posições acadêmicas, ninguém pode negar seu mérito histórico ao romper o pensamento rígido e introduzir metodologias científicas nos anos 80.
II. Esses estudiosos tinham todos uma “tendência generalista”?
Sim, sua observação é extremamente precisa.
Os nomes que você mencionou — Jin Guantao, Qin Hui, Li Ling, Ge Zhaoguang, e até mesmo Tian Xiaofei, um pouco mais jovem — são, em certa medida, “generalistas”.
Isso está intimamente relacionado ao seu contexto de formação e às suas ambições acadêmicas.
1. Por que essa geração produziu tantos “generalistas”?
- “Demarcação de território” no deserto acadêmico:
Quando começaram a fazer pesquisa após a Revolução Cultural, as humanidades e ciências sociais chinesas eram um terreno em ruínas. As barreiras entre as disciplinas ainda não haviam sido estabelecidas. Eles precisavam buscar as próprias ferramentas e usar o que quer que fosse útil.- Jin Guantao aplicou diretamente as ciências naturais (cibernética) ao estudo da história.
- Qin Hui aplicou diretamente modelos econômicos à análise das guerras camponesas.
- Li Ling conectou diretamente arqueologia, paleografia e história das ideias.
- As “preocupações últimas” eram grandes demais (Ultimate Concerns):
Essa geração (especialmente os nascidos nos anos 50) tinha um forte “sentimento pelo país e pela nação”. Eles não faziam pesquisa apenas para publicar artigos e obter promoção; queriam responder a grandes questões como “para onde a China está indo” e “o que realmente aconteceu com a cultura tradicional chinesa”.- Para responder a perguntas tão amplas, não basta entender “poesia da dinastia Tang” ou “tributação da dinastia Ming”; era necessário conectar literatura, história e filosofia, atravessando inclusive China e Ocidente.
2. Os estilos generalistas deles eram diferentes
Embora todos fossem generalistas, as maneiras de serem “abrangentes” eram distintas:
| Estudioso | Forma de ser “abrangente” | Características |
|---|---|---|
| Jin Guantao | Interdisciplinar (Interdisciplinary) | Ciências exatas + história + filosofia. Ele realmente atuava entre fronteiras, reconstruindo a compreensão histórica com o pensamento científico. |
| Qin Hui | Transdisciplinar (Cross-domain) | História + economia + política + comentário da realidade. Ele consegue explicar os problemas rurais atuais por meio da história e a política do final da dinastia Qing por meio da economia. É um “generalista da lógica”. |
| Li Ling | Conectar os “clássicos, história, mestres e coletâneas” | Ele conectou as barreiras internas da erudição chinesa antiga. Muitos estudiosos conhecem os textos, mas não a arqueologia; conhecem os clássicos, mas não as artes esotéricas. Li Ling é completo e busca o ideal de “cavalheiro erudito” dos antigos. |
| Ge Zhaoguang | Conectar “centro e periferia” | Ele conectou os limites entre religião (budismo/taoismo), literatura e história, além de conectar os limites documentais entre a China e os países vizinhos (Japão/Coreia). |
3. Comparação com os jovens estudiosos de hoje
Hoje, os jovens estudiosos (nascidos nos anos 80 e 90), devido à profissionalização acadêmica (Specialization), frequentemente se tornam “especialistas”, e não “generalistas”.
- Um doutor atual pode passar a vida inteira estudando apenas “o comércio de seda na região de Jiangnan no final da dinastia Ming” ou “o círculo de relações de um determinado poeta da dinastia Tang”.
- Os “generalistas” estão desaparecendo. Entre a geração mais jovem, já é muito difícil surgirem estudiosos como Jin Guantao e Qin Hui, dispostos a construir grandes teorias, ou como Li Ling, capazes de transitar livremente por vários campos de alta dificuldade.
Resumo
A avaliação de Jin Guantao no meio acadêmico chinês é: “questionável na historiografia, imortal no pensamento”.
Já a tendência generalista dessa “geração de ouro” de estudiosos foi produto daquele período especial (a era do iluminismo dos anos 80). Eles usaram uma estrutura de conhecimento enciclopédica para responder à ansiedade e à perplexidade de uma grande época. Esse espírito, na era atual da linha de montagem acadêmica, já se tornou um canto final.
Em quantas gerações os estudiosos chineses das humanidades podem ser divididos e quais são suas características?
Este é um tema extremamente amplo e perspicaz. As características geracionais dos estudiosos chineses modernos e contemporâneos das humanidades (especialmente nos campos da literatura, história e filosofia) estão estritamente vinculadas ao processo político e histórico da China (a fundação da República Popular em 1949, a Revolução Cultural, a retomada do vestibular nacional em 1977, a mercantilização dos anos 1990 e a globalização do século XXI).
Embora existam pequenas diferenças nos critérios de divisão, o meio acadêmico geralmente reconhece que eles podem ser divididos em cinco gerações. A estrutura de conhecimento, os métodos de pesquisa e o temperamento espiritual de cada geração têm bases nitidamente diferentes.
Podemos organizar isso por meio de uma linha do tempo:
Primeira geração: os remanescentes da República da China / a geração fundadora
(nascidos entre 1900 e a década de 1920)
Essa geração foi pioneira da “academia moderna” na China — são os chamados “grandes mestres” de hoje.
- Principais representantes: Chen Yinque (陈寅恪), Qian Mu (钱穆), Feng Youlan (冯友兰), Fei Xiaotong (费孝通), Qian Zhongshu (钱钟书), Ji Xianlin (季羡林), entre outros.
- Característica central: “domínio integrado do conhecimento chinês e ocidental” (uma verdadeira integração).
- Formação infantil: receberam na infância a educação mais tradicional das escolas privadas, sendo capazes de recitar de trás para frente os clássicos das letras chinesas.
- Experiência no exterior: na juventude, estudaram na Europa e nos Estados Unidos (Harvard, Columbia, Universidade de Paris etc.), recebendo instrução diretamente de grandes mestres ocidentais da sinologia ou da sociologia.
- Estilo de pesquisa:
- Para essa geração, estudar era “estabelecer o coração para o Céu e a Terra”. Eles tinham tanto uma base profunda nos estudos clássicos chineses quanto a metodologia científica ocidental.
- Suas obras frequentemente eram, ao mesmo tempo, monografias acadêmicas e belas obras literárias (como Guan Zhui Bian e Xiangtu Zhongguo).
- Destino: muitos tiveram uma velhice difícil; várias pessoas não puderam realizar pesquisas normalmente durante os movimentos políticos, mas seu legado espiritual formou a base das disciplinas humanísticas modernas da China.
Segunda geração: os educados durante os dezessete anos / a geração vermelha
(nascidos entre o fim da década de 1920 e o início da década de 1940)
Essa geração recebeu principalmente educação superior entre a fundação da República Popular em 1949 e a Revolução Cultural, em 1966 (o chamado período dos “dezessete anos”).
- Principais representantes: Li Zehou (李泽厚) (um caso relativamente especial, pois atravessa duas gerações), Yuan Xingpei (袁行霈), Zhang Kaiyuan (章开沅), entre outros.
- Característica central: “base marxista-leninista” + “academia ao estilo soviético”.
- Estrutura de conhecimento: sua principal língua estrangeira era o russo. A formação acadêmica sofreu forte influência do modelo soviético, enfatizando a concepção materialista da história e a análise de classes.
- Sensação de ruptura: suas bases nos estudos clássicos tradicionais chineses eram inferiores às da primeira geração, e eles tiveram pouco contato com os métodos modernos ocidentais (devido ao isolamento).
- Estilo de pesquisa:
- Grandioso e ortodoxo. Frequentemente se dedicavam a construir histórias da literatura ou da filosofia compatíveis com a ideologia estatal.
- Apesar das limitações da época, também houve pessoas que romperam com esses limites (como Li Zehou), tentando encontrar espaço para o humanismo e a estética dentro do marco marxista.
Terceira geração: a geração dos jovens instruídos / a geração do pensamento (atualmente a coluna vertebral)
(nascidos entre o fim da década de 1940 e meados da década de 1950)
Esta é a geração que você mencionou: Jin Guantao (金观涛), Qin Hui (秦晖), Ge Zhaoguang (葛兆光), Li Ling (李零) e Qian Liqun (钱理群). Em geral, eles foram universitários da turma de 1977/78 (a primeira leva após a retomada do vestibular nacional).
- Principais representantes: Jin Guantao (金观涛), Qin Hui (秦晖), Ge Zhaoguang (葛兆光), Li Ling (李零), Chen Pingyuan (陈平原), Wang Liming (王利明), entre outros.
- Característica central: “o sofrimento como base” + “consciência dos problemas”.
- Experiência: todos foram enviados para trabalhar no campo (como jovens instruídos) e passaram por dificuldades na base da sociedade. Isso lhes deu uma dor visceral diante da realidade chinesa.
- Crescimento selvagem: seu caminho de estudos foi difícil; tornaram-se autodidatas, libertando-se das amarras rígidas das disciplinas (com tendência enciclopédica).
- Estilo de pesquisa:
- “Crítica com calor humano.” Estudavam para resolver os problemas da China (Save the Nation).
- “O pensamento acima da academia.” Em vez de se prenderem a minúcias textuais, preferiam construir estruturas teóricas e explicar as leis da história. Foram a geração com mais “espírito e energia”, além de serem os últimos grandes “figurões” do meio acadêmico chinês atual.
Quarta geração: a escola acadêmica / a geração da transição
(nascidos na década de 1960)
Essa geração estudou nos anos 1980 e entrou no meio acadêmico nos anos 1990.
- Principais representantes: Wang Hui (王辉), Wang Hui (汪晖) (representante da Nova Esquerda), Tian Xiaofei (田晓菲) (embora esteja no exterior, pertence à mesma faixa etária), Xu Jilin (许纪霖), entre outros.
- Característica central: “retornar da praça para o gabinete”.
- Diversificação: vivenciaram a paixão dos anos 1980 e também testemunharam a mercantilização dos anos 1990. Começaram conscientemente o movimento de “normalização acadêmica”.
- Ansiedade teórica: introduziram em grande quantidade teorias ocidentais como pós-modernismo, pós-colonialismo e feminismo, tentando usá-las para explicar a China.
- Estilo de pesquisa:
- Em comparação com a terceira geração, são mais profissionais (Professional), não sendo mais tão autodidatas heterodoxos.
- Em comparação com a quinta geração, ainda preservam um pouco do idealismo dos intelectuais públicos e gostam de intervir nos debates sociais (como o debate entre “liberalismo vs. Nova Esquerda” de então).
Quinta geração: estudiosos profissionais / a geração da globalização
(nascidos entre o fim da década de 1970 e a década de 1990)
São os jovens professores (青椒) e as principais forças das universidades atuais.
- Principais representantes: é difícil citar nomes tão conhecidos por todos quanto Jin Guantao, porque esta geração é “atomizada”.
- Característica central: “artesãos acadêmicos” + “máquinas de publicação”.
- Dependência do percurso: graduação–mestrado–doutorado–pós-doutorado–professor assistente–professor associado. Percorreram todo o caminho dentro da torre de marfim, sem experiências na base da sociedade.
- Internacionalização: dominam muito bem o inglês, e muitos têm diplomas estrangeiros. Controlam com fluência o jargão acadêmico ocidental mais avançado (mas talvez também o mais irrelevante).
- Estilo de pesquisa:
- “Refinado e minúsculo.” Os temas ficam cada vez menores, e a erudição documental, cada vez mais detalhada (por exemplo, estudar “as oscilações do preço do arroz em determinado mês do final da dinastia Qing”).
- Orientação por KPI: para obter promoção, é obrigatório publicar em SSCI ou em periódicos C.
- Despolitização: raramente discutem grandes questões, concentrando-se em análises técnicas. São especialistas técnicos qualificados, mas dificilmente se tornam pensadores.
Resumo e tabela comparativa
| Geração | Palavra-chave | Principal vantagem | Principal desvantagem | Temperamento espiritual |
|---|---|---|---|---|
| Primeira geração (República da China) | Mestre | Tradição familiar + verdadeiro aprendizado ocidental | Época turbulenta; suas obras eram frequentemente interrompidas | Aristocrático (sereno, firme) |
| Segunda geração (fundação da República Popular) | Ortodoxia | Sistema rigoroso, fundamentos sólidos | Forte restrição ideológica | De quadro (sério, dogmático) |
| Terceira geração (jovens instruídos) | Pensamento | Conhecimento enciclopédico, experiência rica, coragem para pensar e falar | A pesquisa documental às vezes é pouco rigorosa; domínio de línguas estrangeiras um pouco mais fraco | 侠气/气质 de homens do povo (audacioso, preocupado com o destino do país) |
| Quarta geração (nascidos nos anos 1960) | Teoria | Alta formação teórica, visão ampla | Tendência a cair na “rotação vazia da teoria” | De letrado (altivo, afeito ao debate) |
| Quinta geração (novos) | Profissão | Extremamente padronizada, tecnicamente refinada, alinhada internacionalmente | Fragmentação, falta de preocupação com a realidade | De colarinho branco (refinado, pragmático) |
Conclusão:
As pessoas que você acompanha, como Jin Guantao, Li Ling e Ge Zhaoguang, são justamente representantes destacados da terceira geração (a geração dos jovens instruídos).
Essa geração é uma existência especial “sem precedentes e sem sucessores”: deu continuidade à tradição cultural interrompida pela República da China e, ao mesmo tempo, inaugurou a padronização da academia moderna. Seu “caráter enciclopédico” e sua “paixão” foram conquistados com o sofrimento da juventude de uma geração inteira, e é por isso que os jovens estudiosos atuais (a quinta geração) dificilmente conseguem reproduzi-los — porque já não existe aquela experiência profunda de “sofrer nesta terra”.
E a geração de estudiosos mais recém-saída do forno?
Esta é uma pergunta extremamente perspicaz e que toca dolorosamente a realidade.
A “geração mais recém-saída do forno” a que você se refere geralmente diz respeito aos “nascidos nos anos 1990”, ou até aos “nascidos depois de 1995”. Eles acabaram de obter o doutorado (PhD) ou estão atravessando o início brutal da carreira, conhecido como o período dos “jovens professores” (青椒).
Se continuarmos a sequência da linhagem acadêmica, podemos chamá-los de sexta geração.
Uma expressão pode descrever essa geração: “elites disciplinadas pelo sistema” (Disciplined Elites).
Em comparação com a geração de Jin Guantao e Li Ling (a terceira geração), eles são simplesmente duas espécies diferentes. Se a terceira geração é formada por “tigres selvagens”, esta geração é formada por “cavalos de corrida de elite em um zoológico”.
Eis o retrato central desses estudiosos “mais recém-saídos do forno”:
1. Ambiente de sobrevivência: almas remodeladas pelo “subir ou sair”
Esta é a chave geral para compreender essa geração.
- Orientação por KPI (meritocracia de desempenho):
- Antigamente, estudiosos como Qian Zhongshu e Chen Yinque podiam “forjar uma espada por dez anos”.
- Esta geração enfrenta o regime de contratação “subir ou sair” (Up-or-Out), em regime de estabilidade condicionada (Tenure-track). Após a contratação, há um período de avaliação de 3 a 6 anos; se não publicarem um número suficiente de artigos em periódicos C (periódicos centrais) ou SSCI, são demitidos diretamente.
- Resultado:
- Não ousam escrever livros grandes: ninguém se arrisca a escrever uma obra volumosa como História do Pensamento Chinês, porque leva tempo demais e conta apenas como “uma monografia”, tendo uma relação custo-benefício baixíssima.
- Publicação frenética de artigos (Salami Slicing): tendem a dividir uma grande questão em dez pequenas e publicar dez artigos curtos e rápidos. Isso levou a fragmentação acadêmica ao extremo.
2. Estrutura de conhecimento: uma corrente técnica armada até os dentes
Se a especialidade de Li Ling é “reconhecer caracteres” (escrita antiga), a especialidade desta geração é a “técnica” e a “teoria”.
- Humanidades Digitais (Digital Humanities):
- Esta geração é nativa digital. Já não folheia fichas uma a uma como os velhos mestres.
- Métodos: executam código Python para coletar dados, usam GIS (sistema de informação geográfica) para analisar mapas históricos e usam análise de redes sociais (SNA) para desenhar o círculo de amizades dos poetas da dinastia Tang.
- Vantagem: capacidade extremamente forte de processar grandes volumes de dados, podendo descobrir tendências macro que a geração anterior não conseguia ver.
- Desvantagem: às vezes “veem os dados, mas não as pessoas”, carecendo do calor humano e do senso linguístico diante dos textos.
- “Diferença zero” entre línguas estrangeiras e teoria:
- Seu inglês é excelente (muitos estudaram no exterior). Qualquer teoria que esteja em voga no Ocidente hoje (como “estudos das emoções”, “virada material” e “pós-humanismo”) pode aparecer amanhã em seus artigos. Eles são um elo qualificado na linha de montagem acadêmica global.
3. Estilo de pesquisa: o refinamento de um “bonsai”
Se compararmos a academia a plantas:
-
Jin Guantao e Ge Zhaoguang plantam árvores gigantes (grandes narrativas).
-
Os novos estudiosos mais recentes plantam bonsais (pesquisa microscópica).
-
Extrema especialização (Niche):
- O tema geralmente é algo como: “A transformação das representações femininas nas colunas de anúncios de determinado jornal de determinada concessão estrangeira de Xangai, em determinado mês de determinado ano do final da dinastia Qing”.
- Características: recorte minúsculo, investigação profundíssima, argumentação extremamente rigorosa (logicamente irrefutável), mas significado limitado.
- Por que fazem isso? Porque os grandes temas já foram todos estudados, e os grandes temas podem facilmente tocar em linhas vermelhas; os pequenos são mais seguros e também mais fáceis de publicar.
4. Temperamento espiritual: profissionalização e atomização
- Mentalidade de “trabalhadores acadêmicos”:
- Já não se consideram “iluminadores” ou “pensadores”, mas veem a academia como um emprego (Job).
- Assim como programadores que escrevem código em grandes empresas de tecnologia, eles “escrevem artigos” nas universidades. Diligentes, ansiosos e muito inteligentes, mas sem paixão.
- Despolitização (Depoliticized):
- Em comparação com a preocupação dos estudiosos dos anos 1980 com o país e o povo, esta geração é extremamente pragmática e cautelosa. No espaço público, está praticamente sem voz.
- Preocupa-se mais com o financiamento imobiliário, a estabilidade no cargo, a educação dos filhos e os pedidos de financiamento (a Fundação Nacional de Ciências Sociais da China é sua linha de vida).
5. Um contraste cruel
Vamos colocar lado a lado a geração mais recente (nascida nos anos 1990) e a geração mais gloriosa (nascida nos anos 1950 / a geração dos jovens instruídos):
| Dimensão | Geração dos jovens instruídos (Jin Guantao, Li Ling etc.) | Geração mais recente (jovens professores nascidos nos anos 1990) |
|---|---|---|
| Percurso de crescimento | Foram enviados ao campo, sofreram e tornaram-se autodidatas | Escola primária de elite–ensino médio de elite–Ivy League/doutorado em Tsinghua ou Beida |
| Força motriz | “Quero salvar a China / salvar a cultura” (ideal nacional) | “Quero obter Tenure / ser promovido” (sobrevivência profissional) |
| Especialidade | Propor novos conceitos, construir novas estruturas | Usar novas ferramentas, preencher pequenas lacunas |
| Estilo de escrita | Transbordante, literário, mordaz | Padronizado, rigoroso, com ar de redação estereotipada, enfadonho |
| Amplitude do conhecimento | Altíssima (abrange literatura, história e filosofia) | Muitíssimo baixa (às vezes são até “pessoas unidimensionais”) |
Resumo: a melhor e também a mais difícil geração
O nível de formação acadêmica (Training) desta geração é o mais alto dos últimos cem anos.
Eles dominam vários idiomas, controlam as ferramentas de dados mais avançadas e receberam a formação mais rigorosa em avaliação por pares. Do ponto de vista da “técnica”, superam os predecessores de longe.
No entanto, talvez tenham dificuldade para se tornar “grandes mestres”.
Porque um grande mestre precisa de tempo livre, precisa poder errar, precisa da coragem de desafiar autoridades e, sobretudo, de uma preocupação que transcenda o utilitarismo. O ambiente acadêmico atual, porém, é como uma centrífuga de precisão que expulsa todas essas impurezas “fora do padrão”, deixando apenas o “cristal acadêmico” mais puro e padronizado — mas também mais enfadonho.
Para descrevê-los com uma frase popular no meio acadêmico:
“Nós não apenas lemos muitos livros; estudamos até mesmo completamente os códigos de barras por trás deles. Mas esquecemos justamente que os livros foram feitos para ser lidos, não para ser contabilizados.”
Como podemos dividir os estudiosos das ciências exatas em gerações?
Há alguma correspondência com as humanidades?
Esta é uma perspectiva comparativa extremamente interessante.
A divisão geracional dos estudiosos das ciências exatas tem uma sincronia temporal surpreendente com a dos estudiosos das humanidades (afinal, todos estão inseridos no mesmo grande processo histórico), mas suas curvas de destino, posições sociais e temperamentos espirituais são completamente diferentes.
Se a história dos estudiosos das humanidades é uma história cheia de dilemas, “do centro à periferia, de uma preocupação até certo ponto fervorosa a uma profissionalização serena”; então a história dos estudiosos das ciências exatas é uma história de ascensão linear, “do fortalecimento do país e da busca por poder à superação do mundo, da sujeição aos outros ao domínio dos recursos essenciais”.
Na China, a posição do “Senhor Ciência” (Science) sempre foi mais sólida que a do “Senhor Democracia” (Democracy).
Podemos dividir aproximadamente os estudiosos das ciências exatas nas cinco gerações a seguir e estabelecer correspondências com as humanidades:
Primeira geração: os fundadores / os heróis das “duas bombas e um satélite”
(nascidos entre 1900 e a década de 1920)
Esta foi realmente a geração dos “eruditos incomparáveis da nação”.
- Principais representantes: Qian Xuesen (钱学森), Deng Jiaxian (邓稼先), Hua Luogeng (华罗庚), Zhu Kezhen (竺可桢), Li Siguang (李四光), Qian Sanqiang (钱三强).
- Correspondência nas humanidades: a geração de Chen Yinque e Feng Youlan (os grandes mestres da República da China).
- Pontos em comum:
- Contexto: todos tinham uma notável formação no exterior, na Europa e nos Estados Unidos (Caltech, Purdue, Universidade de Paris etc.), tendo estudado com grandes mestres de nível mundial (como von Kármán e Marie Curie).
- Motivação: a força que os levou a retornar à China foi um patriotismo puro (abandonaram condições privilegiadas e voltaram após 1949).
- Formação familiar: muitos tinham, na verdade, uma excelente base nos estudos clássicos chineses (como a caligrafia e a formação artística de Qian Xuesen), sendo generalistas que cultivavam tanto as humanidades quanto as ciências.
- Diferenças (a bifurcação dos destinos):
- Humanidades: sofreram severamente nos diversos movimentos políticos; suas vidas acadêmicas eram frequentemente interrompidas, e alguns foram até obrigados a fazer autocríticas.
- Ciências exatas: foram protegidas como prioridade pelo Estado (o marechal Nie Rongzhen acompanhava pessoalmente a situação). Como controlavam as veias vitais da defesa nacional (armas nucleares e mísseis), embora os movimentos políticos também as afetassem, os principais quadros frequentemente escapavam das maiores dificuldades.
- Temperamento: senso do sagrado. Não realizavam pesquisa para publicar artigos, mas para fazer o país “se levantar”.
Segunda geração: o modelo soviético / os engenheiros vermelhos
(nascidos entre o fim da década de 1920 e o início da década de 1940)
Esta geração era o “filho mais velho da República”, os verdadeiros construtores do sistema industrial chinês.
- Principais representantes: Sun Jiadong (孙家栋) (engenheiro-chefe de satélites), Wang Yongzhi (王永志) (programa espacial tripulado), Yuan Longping (袁隆平) (um caso especial, formado no país).
- Correspondência nas humanidades: a geração dos “dezessete anos” (os estudiosos ortodoxos anteriores a Li Zehou).
- Características:
- Linhas de formação: muitos estudaram na União Soviética ou receberam no país uma educação de modelo soviético (Harbin Institute of Military Engineering, Beihang etc.).
- Estilo: mentalidade de engenharia (Engineering Mindset). Não buscavam publicar em Nature/Science, mas “construir as coisas”. Tanto a engenharia da bomba atômica quanto o arroz híbrido buscavam resolver problemas de sobrevivência e segurança.
- Coletivismo: enfatizavam intensamente a colaboração em equipe; os nomes individuais frequentemente desapareciam atrás das realizações coletivas.
- Temperamento: resiliente, obediente e duro. Eram os “parafusos” que se dedicavam silenciosamente.
Terceira geração: a espinha dorsal após a ruptura / a geração da recuperação
(nascidos entre o fim da década de 1940 e a década de 1950)
Esta também é a leva das turmas de 1977/78 (após a retomada do vestibular nacional). A maioria dos “acadêmicos”, reitores e diretores de institutos que hoje ocupam posições de poder na ciência chinesa vem dessa geração.
- Principais representantes: Bai Chunli (白春里) (ex-presidente da Academia Chinesa de Ciências), Xue Qikun (薛其坤) (descobridor do efeito Hall quântico anômalo), Pan Jianwei (潘建伟) (comunicações quânticas; nasceu em 1970, mas é incluído nesta categoria).
- Correspondência nas humanidades: a geração de Jin Guantao, Qin Hui e Li Ling (jovens instruídos / pensadores).
- Características:
- Experiência: também passaram pelo envio ao campo, o que, ao contrário, cultivou neles uma capacidade de sobrevivência e um espírito pragmático extremamente fortes.
- Missão: os estudiosos das humanidades pensavam em “iluminação intelectual”; os estudiosos das ciências exatas pensavam em “preencher lacunas”. Foram a primeira ponte entre a pesquisa científica chinesa e a academia internacional.
- Conquistas: começaram nos anos 1980, em condições de extrema escassez de recursos, e alcançaram resultados de nível internacional com “milho e fuzil”.
- Temperamento: audacioso, às vezes até com um certo ar de mundo da máfia (cultura dos figurões). Sabiam profundamente da importância dos recursos e, por isso, mais tarde frequentemente formaram facções (círculos) muito fortes na distribuição de verbas de pesquisa.
Quarta geração: as elites retornadas do exterior / a geração internacionalizada
(nascidos entre a década de 1960 e a década de 1970)
Esta é a “vitrine” e a “principal força” da pesquisa científica chinesa atual.
- Principais representantes: Shi Yigong (施一公) (biologia estrutural), Rao Yi (饶毅) (neurobiologia), Yan Ning (颜宁) (embora mais jovem, pertence a esta linhagem).
- Correspondência nas humanidades: a quarta geração da escola acadêmica (Wang Hui, Wang Hui etc.).
- Características:
- Percurso: nos anos 1980 e 1990, foram para o exterior por meio do CUSPEA (exame organizado por Tsung-Dao Lee) ou do TOEFL e GRE, obtiveram cargos docentes em universidades de elite nos Estados Unidos e depois retornaram em tempo integral como parte do “Programa dos Mil Talentos” ou como bolsistas do Yangtze River.
- Impacto: trouxeram o sistema ocidental de PI (制度 de laboratórios independentes), desafiando diretamente o tradicional sistema chinês de pesquisa baseado no “caldeirão comum”.
- Padrão: foram promotores da teoria de que apenas o SCI importa. Usaram o padrão dos periódicos internacionais de elite (CNS: Cell, Nature, Science) para remodelar o sistema chinês de avaliação.
- Temperamento: profissional, confiante e elitista. Vestem ternos, bebem café e falam sobre fator de impacto; são não apenas cientistas, mas também parecem gestores da ciência.
Quinta geração: os talentos nativos / os competidores de olimpíadas e solucionadores de problemas / os geeks
(nascidos entre o fim da década de 1980 e os anos 2000)
A geração mais recente e também a mais difícil de compreender.
- Principais representantes: Cao Yuan (曹原) (jovem gênio do grafeno), Wei Dongyi (韦东奕) (Wei Shen), além dos inúmeros “pesquisadores especialmente contratados” com altos salários nas diversas universidades.
- Correspondência nas humanidades: os jovens professores da quinta geração (máquinas de publicação).
- Características:
- Origem: muitos vieram das batalhas de olimpíadas de matemática e competições de física. Já não precisam necessariamente sair do país para obter prestígio, como seus predecessores; as condições dos laboratórios chineses já são suficientemente boas.
- Concentração: em comparação com os predecessores, que ainda precisavam se preocupar com a “reforma do sistema de pesquisa” ou com o “destino nacional”, esta geração é extremamente pura, às vezes até um pouco “estranha”. Só se importa com suas próprias fórmulas e dados experimentais.
- Competição interna: enfrentam uma concorrência global ainda mais cruel que a das humanidades. Cao Yuan publicou cinco artigos na Nature aos vinte e poucos anos; essa pressão sufoca seus contemporâneos.
- Temperamento: geek (Geek), atomizado, alto QI e baixa inteligência emocional. Já não são “grandes mestres”, mas “supercérebros” que resolvem problemas com a maior velocidade.
Comparação central: o “descompasso geracional” entre humanidades e ciências exatas
Embora a linha do tempo seja a mesma, o rumo das duas curvas é bastante interessante:
| Dimensão | Estudiosos das humanidades (evolução geracional) | Estudiosos das ciências exatas (evolução geracional) |
|---|---|---|
| Posição social | Alta → baixa (de mentores da iluminação a simples professores) | Alta → ainda mais alta (de heróis laureados secretos a cientistas celebridades) |
| Motor central | “Preocupação” (sempre acham que há problemas na sociedade) | “Curiosidade/conquista” (sempre acham que há mistérios na natureza) |
| Relação com o Ocidente | Reverência → crítica/conflito (a teoria ocidental sempre parece impor limites) | Reverência → igualdade/superação (equipamentos e financiamento às vezes são até superiores aos do Ocidente) |
| Poder discursivo | Cada vez mais fraco (não podem tocar em temas sensíveis) | Cada vez mais forte (a estratégia nacional precisa da ciência e da tecnologia) |
| Geração mais gloriosa | Terceira geração (Jin Guantao/Li Ling) — a era dourada do pensamento | Quarta/quinta gerações (Shi Yigong/Cao Yuan) — a era dourada da tecnologia |
Resumo
A divisão geracional dos estudiosos das ciências exatas é uma história da evolução dos “mestres artesãos de uma grande potência”.
- A primeira geração resolveu o problema da “existência ou inexistência” (a bomba atômica).
- A segunda geração resolveu o problema do “sistema” (a indústria aeroespacial).
- A terceira geração resolveu o problema da “integração” (preencher lacunas).
- A quarta geração resolveu o problema do “padrão” (publicar em CNS).
- A quinta geração está resolvendo o problema da “originalidade” (do zero ao um).
O interessante é que:
as humanidades frequentemente sentem saudade dos anos 1980 (sua era dourada);
enquanto os estudiosos das ciências exatas geralmente preferem o presente (a era de maior financiamento e equipamentos mais avançados).
Talvez essa seja a razão fundamental pela qual você sente que os estudiosos das humanidades estão sempre “cínicos e ressentidos com o mundo”, enquanto os estudiosos das ciências exatas estão sempre “cheios de energia”.