O Mal do Coração e a Espera do Povo
Importado@odus · 1 de mar., 14:08
Resumo da conversa
O povo das antigas bases revolucionárias vê os altos funcionários como 'objetos de cobrança' e 'totens de promessas a cumprir', mesclando orgulho familiar com dependência real, além de uma complexa mistura de vínculo emocional com os sobreviventes e distanciamento de classe, em vez de simples admiração ou reverência.
Conversa
Por que Chiang Kai-shek insistia em exterminar os comunistas? Os outros senhores da guerra não eram uma ameaça maior? O que tornava o Partido Comunista tão destacado?
Esta é uma questão muito profunda que toca o cerne da lógica política da República da China.
Em suma, a razão pela qual Chiang Kai-shek tinha uma obsessão quase fanática por "exterminar os comunistas" é que, aos seus olhos: os senhores da guerra e os japoneses queriam seu "território", enquanto o Partido Comunista queria sua "vida" (a base do regime).
Chiang Kai-shek tinha uma famosa metáfora: "Os japoneses são uma doença de pele (sarna), os comunistas são uma doença cardíaca (problema no coração)." Esta frase resume com precisão sua prioridade estratégica.
A seguir, uma análise aprofundada de por que Chiang Kai-shek considerava o Partido Comunista uma ameaça maior do que os outros senhores da guerra, sob três dimensões: lógica política, base social e forma organizacional.
1. Reivindicações políticas diferentes: dividir o bolo vs. virar a mesa
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Outros senhores da guerra (dividir o bolo): Senhores da guerra novos e antigos, como Yan Xishan (Shanxi), Li Zongren (Guangxi) e Feng Yuxiang (Noroeste), eram essencialmente grupos de interesse. Embora também se opusessem a Chiang, seu objetivo era "lutar por poder e lucro". Eles esperavam obter mais território, receitas fiscais e cargos no governo central dentro do sistema social existente.
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Forma de lidar: Para lidar com os senhores da guerra, Chiang Kai-shek podia usar dinheiro para comprar, títulos para nomear, laços de juramento e dividir para conquistar. Por exemplo, embora a Guerra das Planícies Centrais tenha sido violenta, depois dela, figuras como Feng Yuxiang e Yan Xishan ainda ocupavam altos cargos no Kuomintang e podiam até sentar-se para reuniões. Porque todos eram "contradições internas da classe dominante".
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Partido Comunista (virar a mesa): A reivindicação do Partido Comunista não era "quero ser governador", mas sim "derrubar os tiranos locais e os senhores rurais" e "derrubar a burguesia". Isso negava diretamente a legitimidade da existência do regime do Kuomintang. O Partido Comunista queria estabelecer um sistema social completamente diferente (o sistema soviético).
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Natureza da ameaça: Aos olhos de Chiang Kai-shek, a oposição dos senhores da guerra era uma "briga entre irmãos", enquanto a oposição do Partido Comunista era uma "vingança de classe". Era um jogo de soma zero, sem possibilidade de resgate político, apenas uma luta de vida ou morte.
2. Capacidade de mobilização social: exército mercenário vs. exército de fé
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Outros senhores da guerra (árvore sem raízes): Os exércitos dos velhos senhores da guerra eram em sua maioria mercenários: "alistar-se para comer, receber dinheiro para lutar". O controle dos senhores da guerra sobre as bases era muito fraco, muitas vezes limitado às cidades-sede, e no campo ainda dependiam dos gentry locais. Se você derrotasse o líder do senhor da guerra, os soldados ou se dispersavam ou eram incorporados por você, sem resistência duradoura.
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Partido Comunista (fogo que nunca se apaga): O aspecto mais notável do Partido Comunista era sua "transformação social" e "mobilização de base".
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Poder da reforma agrária: Através de "derrubar os tiranos locais e dividir a terra", o Partido Comunista destruiu diretamente a base de dominação dos gentry rurais da qual o Kuomintang dependia para sobreviver, e transformou centenas de milhões de camponeses, através de interesses compartilhados, em uma fonte firme de soldados.
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Armamento ideológico: Chiang Kai-shek ficou horrorizado ao descobrir que, mesmo que o Exército Vermelho fosse disperso, ele poderia se reagrupar; os soldados do Exército Vermelho lutavam por "emancipação", não por soldo. Essa capacidade organizacional de "integração político-militar" não era possuída por nenhum outro senhor da guerra.
3. Rigor organizacional: areia solta vs. partido de tipo leninista
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Kuomintang e senhores da guerra (aliança frouxa): O próprio Kuomintang era muito frouxo, com facções por toda parte, e as ordens do governo central não saíam de Nanjing. Os outros senhores da guerra eram ainda mais "reinos independentes".
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Partido Comunista (disciplina de aço): O Partido Comunista foi estabelecido segundo os princípios do leninismo, possuindo forte disciplina organizacional e capacidade de execução ("ramo do partido na companhia"). Chiang Kai-shek lamentou muitas vezes em seu diário a corrupção e incompetência do Kuomintang, e refletiu sobre por que era tão difícil eliminar o Partido Comunista. Ele acreditava que o Partido Comunista tinha uma força espiritual e eficiência organizacional que, uma vez crescidas, a frouxa aliança de interesses do Kuomintang não poderia rivalizar.
4. Contexto internacional: a sombra da União Soviética
Chiang Kai-shek detestava profundamente a União Soviética. A seus olhos, o Partido Comunista Chinês era um "ramo da Internacional Comunista" controlado pela URSS. Ele acreditava que, se o Partido Comunista se fortalecesse, a China se tornaria um satélite soviético, podendo até levar à desintegração da China (por exemplo, estabelecendo uma república soviética). Em contraste, ele achava que a invasão japonesa, embora urgente, poderia ser adiada por meio de manobras diplomáticas ou "ganhar tempo com espaço", enquanto a infiltração ideológica do Partido Comunista era uma desintegração "da alma" da nação chinesa (da perspectiva confucionista tradicional de Chiang).
Resumo
Para Chiang Kai-shek:
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Mesmo que Li Zongren ou Yan Xishan vencessem, a China ainda seria a China, apenas com um novo líder, a estrutura social permaneceria a mesma, e Chiang poderia até mesmo se aposentar como um cidadão comum.
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Se o Partido Comunista vencesse, os proprietários de terras, os gentry rurais e a burguesia compradora (a base do Kuomintang) seriam arrancados pela raiz, e toda a estrutura social seria completamente subvertida.
Portanto, ele estabeleceu a política nacional de "primeiro pacificar o interior antes de resistir ao exterior", mesmo sob a acusação de "não resistir", para primeiro reunir um milhão de soldados e realizar cinco campanhas de cerco contra o Exército Vermelho. Porque, aos seus olhos, os senhores da guerra eram oponentes, enquanto o Partido Comunista era o coveiro.
Como evoluiu a compreensão de Chiang Kai-shek sobre o Partido Comunista?
A compreensão de Chiang Kai-shek sobre o Partido Comunista passou por uma evolução complexa, de "considerá-lo como amigo e mestre" a "problema cardíaco", e depois a "modelo organizacional" e "inimigo cultural mortal". Esse processo não foi linear, mas se aprofundou com as mudanças na situação e seus reveses pessoais.
Podemos dividir sua evolução em cinco fases principais:
1. Período de exploração e suspeita (1923-1926): Apenas pegar o "método", não o "caminho"
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Atitude inicial: Em 1923, Sun Yat-sen enviou Chiang Kai-shek para visitar a União Soviética. Inicialmente, Chiang estava cheio de curiosidade e admiração pela revolução soviética, chegando a chamar a URSS de "nosso mestre" em seu diário.
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Ponto de virada (viagem a Moscou): Esta visita foi o primeiro ponto de virada na compreensão de Chiang sobre os comunistas. Ele percebeu agudamente em seu diário: os "métodos" da URSS eram poderosos (organização do Exército Vermelho, sistema de comissários políticos), mas os "objetivos" eram assustadores. Ele acreditava que a URSS tinha ambições territoriais em relação à China (especialmente a questão da Mongólia Exterior), e a luta de classes intensa dentro do Partido Comunista o incomodava, como alguém que reverenciava a ética confucionista tradicional.
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Conclusão: Após retornar, ele começou a firmar a opinião de que podia aprender os métodos organizacionais dos comunistas (como a introdução de departamentos políticos na Academia Militar de Whampoa), mas nunca aceitar sua ideologia. Neste momento, ele via o Partido Comunista como um "aliado a ser vigiado".
2. Período de oposição total (1927-1936): O "problema cardíaco" irreconciliável
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Atualização cognitiva: Com o surgimento dos movimentos operário e camponês durante a Expedição do Norte, Chiang Kai-shek descobriu que o Partido Comunista não era apenas um oponente político, mas uma força que podia mobilizar completamente a sociedade a partir da base e subverter a ordem social existente (derrubar proprietários de terras e gentry).
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Caracterização: Neste período, ele propôs o famoso ditado: "Os japoneses são uma doença de pele, os comunistas são uma doença cardíaca". Ele acreditava que os senhores da guerra e o Japão apenas disputavam território, enquanto o Partido Comunista queria arrancar a base social da qual o Kuomintang dependia para sobreviver (clã, ética, propriedade privada).
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Estratégia: Ele classificou o Partido Comunista como "bandidos", vendo-o como um "tumor" que precisava ser completamente removido por meios militares.
3. Período de cooperação forçada e vigilância (1937-1945): Oportunistas traiçoeiros
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Ajuste cognitivo: Após o Incidente de Xi'an, Chiang Kai-shek foi forçado a aceitar a "aliança com os comunistas para resistir ao Japão". Durante este período, ele não chamava mais abertamente o Partido Comunista de "bandidos", mas sua hostilidade interna se aprofundou.
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Observação: Durante a guerra, ele viu o Exército Nacional se desgastar na frente de batalha, enquanto o Oitavo Exército de Rota e o Novo Quarto Exército cresciam rapidamente atrás das linhas inimigas. Em seu diário, ele amaldiçoou repetidamente o Partido Comunista por "vaguear sem lutar", "aproveitar a crise para saquear" e "não ter palavra".
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Conclusão: Ele acreditava que o Partido Comunista estava usando a crise nacional para expandir seu próprio poder como "oportunistas", e estava convencido de que, após a vitória sobre o Japão, haveria uma guerra decisiva entre o Kuomintang e o Partido Comunista.
4. Período de derrota e reflexão (1946-1949): Do desprezo ao choque
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Erro de julgamento: No início da guerra civil, baseado na superioridade numérica e de equipamento, Chiang subestimou severamente a capacidade militar do Partido Comunista, acreditando que poderia resolver o problema em "três a seis meses".
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Choque: Com a reversão da situação de guerra, Chiang começou a perceber que enfrentava um oponente evoluído. Em seu diário, ele se maravilhou com a capacidade de inteligência, eficiência de mobilização e vontade de luta do exército comunista, em contraste com a "corrupção", "falta de disciplina" e "perda do apoio popular" dentro do Kuomintang. Neste período, sua compreensão do Partido Comunista passou de "um bando de bandidos" para "uma máquina organizacional aterrorizante".
5. Resumo final no período de Taiwan (1949 em diante): "Mestre" organizacional e "demônio" cultural
Após a derrota para Taiwan, a compreensão de Chiang sobre o Partido Comunista atingiu seu estágio mais contraditório e profundo:
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"Aprender" organizacionalmente: Chiang, refletindo sobre a dor, acreditava que a razão fundamental da derrota do Kuomintang era a "frouxidão organizacional". Curiosamente, a reforma do Kuomintang que ele realizou em Taiwan (1950-1952) referenciou amplamente a experiência do Movimento de Retificação de Yan'an. Ele exigiu que os membros do Kuomintang estabelecessem grupos, realizassem críticas e autocríticas, e fortalecessem o poder dos quadros político-militares. Ele tentou usar os métodos organizacionais dos comunistas (modelo de partido leninista) para reformar o Kuomintang, a fim de combater o Partido Comunista.
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"Inimigo mortal" cultural: Após a derrota política e militar, Chiang elevou a oposição ao nível de conflito de civilizações. Ele acreditava que a vitória do Partido Comunista era a destruição da "doutrina bárbara estrangeira (Marxismo-Leninismo)" sobre a "excelente tradição chinesa (Confucionismo)". Portanto, ele lançou o "Movimento de Renascimento Cultural Chinês" em Taiwan, moldando-se como o guardião da cultura tradicional chinesa e definindo o Partido Comunista como o culpado pela destruição da civilização chinesa.
Resumo
A evolução da compreensão de Chiang Kai-shek sobre o Partido Comunista foi um processo de "começou com curiosidade -> depois medo -> no meio desprezo -> finalmente imitação no ódio".
Ele desprezou ao longo de sua vida as teorias econômicas e a luta de classes do Partido Comunista, mas no final de sua vida teve que admitir (e tentar imitar) a incrível capacidade do Partido Comunista em mobilização organizacional e controle espiritual.
O Partido Comunista era muito poderoso antes de ser exterminado? Ou foi apenas a visão perspicaz de Chiang Kai-shek? Como os outros viam o Partido Comunista?
Esta é uma ótima contra-pergunta. A história é frequentemente simplificada pela lógica do "vencedor leva tudo", mas quando nos colocamos no ponto temporal por volta de 1930, a situação é muito mais sutil.
A resposta é: O Partido Comunista já era grande demais para ser ignorado, mas não grande o suficiente para "derrubar o Kuomintang de frente". Chiang Kai-shek era mais urgente que os outros, de fato, porque sua visão era mais "perspicaz" (ou mais venenosa) — ele viu uma crise profunda que outros não viram.
A seguir, uma análise em três níveis: dados de poder duro, a visão dos senhores da guerra sobre o Partido Comunista e a perspectiva única de Chiang Kai-shek.
1. O poder duro do Partido Comunista na época: Era realmente forte?
Antes de Chiang lançar as grandes campanhas de cerco (final de 1930), o poder do Partido Comunista estava em um estado de "parece não letal, mas a taxa de crescimento é assustadora".
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Número de soldados: Cerca de 60.000 a 100.000 (força principal do Exército Vermelho).
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Comparação: O exército central de Chiang tinha cerca de 600.000, e com os senhores da guerra, o exército nacional total ultrapassava 2 milhões.
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Avaliação: Em números, o Exército Vermelho era cerca de 1/20 do exército nacional, parecendo insignificante.
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Território controlado: Estabeleceu mais de uma dúzia de "bases revolucionárias" (áreas soviéticas).
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A maior Área Soviética Central (sul de Jiangxi e oeste de Fujian) tinha uma população de cerca de 3-4 milhões.
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A população total das áreas controladas pelo Exército Vermelho em todo o país era de cerca de 10 milhões.
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Avaliação: Isso não era apenas ocupar montanhas e reinar, mas estabelecer sistemas independentes de tributação, administração e leis. Na época, além do governo nacional, nenhum senhor da guerra conseguia fazer isso.
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Capacidade organizacional do partido: O número de membros do partido, que caiu para pouco mais de 10.000 após o massacre de 1927, rapidamente se recuperou para 120.000 em 1930.
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Avaliação: Essa capacidade de recuperação "fogo que nunca se apaga" era o dado que mais assustava Chiang Kai-shek.
Conclusão: Se olharmos apenas para o número de soldados, o Partido Comunista era apenas um "pequeno incômodo"; mas olhando para a população controlada e a profundidade da mobilização, o Partido Comunista já era um "estado dentro do estado".
2. Por que os outros senhores da guerra achavam que a ameaça era "pequena"?
Exceto Chiang, grandes senhores da guerra como Zhang Xueliang, Li Zongren e Yan Xishan geralmente achavam o Partido Comunista "muito irritante, mas não fatal". Suas mentalidades eram as seguintes:
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Mentalidade 1: "Esse é o problema do Chiang, não meu"
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O Exército Vermelho estava principalmente ativo em Jiangxi, Hunan, Hubei, que eram áreas de influência ou interesse central de Chiang. Para Zhang Xueliang no norte e Yan Xishan, o Exército Vermelho estava muito longe.
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Subtexto: "Enquanto o Exército Vermelho não atacar minha província, por que eu gastaria minhas tropas para ajudar Chiang a exterminar bandidos?"
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Mentalidade 2: Ferramenta para "alimentar o bandido para se valorizar"
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Muitos senhores da guerra locais até esperavam que o Exército Vermelho existisse. Porque enquanto o Exército Vermelho estivesse lá, Chiang, para apaziguar as regiões, daria dinheiro, armas e cargos. Se o Exército Vermelho desaparecesse completamente, o próximo alvo de Chiang para reduzir o poder dos senhores da guerra seria eles mesmos.
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O senhor da guerra de Guangdong, Chen Jitang, até negociava com o Exército Vermelho (vendendo tungstênio e sal), e até "fechou os olhos" quando o Exército Vermelho rompeu o cerco durante a Longa Marcha, para preservar suas próprias forças.
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Mentalidade 3: "Isso é apenas um bando de bandidos"
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A maioria dos velhos senhores da guerra não entendia o programa político do Partido Comunista; eles viam o Exército Vermelho como os "bandidos errantes" ou "seitas" comuns da história. Eles achavam que, se matassem o líder, os soldados se dispersariam com um pouco de comida, sem perceber que era um novo tipo de "grupo político-militar".
3. A visão "perspicaz" de Chiang Kai-shek: O que ele viu?
Embora o comando militar de Chiang seja frequentemente criticado, em termos de faro político, ele estava realmente um nível acima dos outros senhores da guerra. A razão pela qual ele "insistia em exterminar os comunistas" era porque viu três pontos que outros ignoraram:
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Primeiro: Isso não é "bandido", é um "estado"
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Bandidos saqueiam e vão embora; senhores da guerra ocupam território e só cobram impostos.
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O Partido Comunista, onde quer que fosse, estabelecia governo, distribuía terras, emitia moeda, fundava escolas. Chiang mencionou repetidamente em cartas a seus generais: o Exército Vermelho tem ideologia, organização e disciplina; isso é completamente estabelecer um governo central alternativo. Uma vez que crescesse, o Kuomintang não teria lugar para ficar.
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Segundo: O fator soviético por trás
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Chiang temia profundamente a União Soviética. Ele acreditava que o Partido Comunista Chinês era um "agente" implantado pela URSS para controlar a China. Outros senhores da guerra viam o Exército Vermelho como "rebelião camponesa"; Chiang via como "infiltração geopolítica internacional". Ele temia que, uma vez que o Partido Comunista controlasse a costa ou as fronteiras e recebesse ajuda militar em larga escala da URSS, o Kuomintang seria completamente derrotado.
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Terceiro: Disputa pela "legitimidade"
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Embora o Kuomintang tenha unificado formalmente a China, estava cheio de facções internas. Chiang precisava de um "inimigo comum" para unificar internamente. Através do "extermínio dos comunistas", Chiang podia legitimamente enviar o exército central para os territórios dos senhores da guerra locais (como Guizhou, Sichuan, Yunnan), usando o pretexto de "exterminar bandidos" para realmente "reduzir o poder dos senhores da guerra".
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Os fatos provam que ele conseguiu: durante a perseguição ao Exército Vermelho na Longa Marcha, a influência de Chiang penetrou com sucesso nas províncias do sudoeste que antes eram intocáveis.
Resumo
Antes de ser exterminado, o Partido Comunista tinha "poder duro" ainda fraco, mas "poder suave" (organização, capacidade de mobilização) já superava o do Kuomintang.
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Outros senhores da guerra viam o Partido Comunista no presente — "apenas alguns milhares de armas, um bando de bandidos, não é preocupante".
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Chiang Kai-shek via o Partido Comunista no futuro — "esse mecanismo que consegue organizar camponeses para lutar até a morte, se lhe der tempo, devorará tudo".
Portanto, a ansiedade de Chiang era real, e seu julgamento estava correto. Mas o problema que ele não conseguia resolver era: ele queria usar um "antivírus" (cerco militar) para consertar uma "vulnerabilidade do sistema" (questão da terra e contradição de classes), e o resultado foi que o vírus não foi eliminado, e o sistema entrou em colapso primeiro.
O que aconteceu com as antigas bases do Partido Comunista após a Longa Marcha e antes da unificação? Para quem elas foram? Elas ainda apoiavam secretamente o Partido Comunista? Qual era a atitude em relação ao Partido Comunista? E qual era a mentalidade quando a unificação finalmente ocorreu?
Esta é uma fatia histórica muito comovente.
Em suma, os 15 anos entre a partida do Exército Vermelho principal em 1934 e o retorno do Exército de Libertação em 1949 foram, para o povo da Área Soviética Central (centrada em Ruijin, Jiangxi, incluindo o oeste de Fujian), um período sombrio de "banho de sangue, retaliação, sofrimento e espera".
Não foi um vácuo; eles experimentaram um governo extremamente opressivo do Kuomintang. A mentalidade do povo passou de desespero inicial a resistência silenciosa e, finalmente, a alegria misturada com medo.
A seguir, uma reconstituição do que aconteceu nesses 15 anos:
1. Para quem foram? — O terror branco dos "grupos de retorno"
Após a partida do Exército Vermelho, o exército central do Kuomintang não estacionou permanentemente em cada vila; quem realmente assumiu o poder de base foram os "grupos de retorno" (milícias de proprietários de terras, milícias locais) que voltaram com o exército nacional.
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Politicamente: Sistema de responsabilidade coletiva Para erradicar completamente o solo do Partido Comunista, o Kuomintang implementou o cruel "sistema de garantia mútua". Se uma pessoa ajudasse os comunistas, dez famílias seriam punidas coletivamente. Se alguém na vila levasse comida para os guerrilheiros, a vila inteira seria punida ou até massacrada. A população de Ruijin, Xingguo e outros lugares caiu drasticamente após a partida do Exército Vermelho; muitas vilas foram queimadas por serem "cúmplices de bandidos", tornando-se zonas desabitadas.
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Economicamente: A cruel "retaliação" Esta foi a parte mais dolorosa para os camponeses. Durante o período do Exército Vermelho, as terras dos proprietários foram distribuídas; agora os proprietários estavam de volta (daí "retorno"). Eles não apenas recuperavam a terra, mas também faziam uma "liquidação retroativa de aluguéis". Ou seja, os proprietários pegavam seus livros de contabilidade e calculavam: "Você cultivou minha terra nestes anos sem pagar aluguel; agora pague tudo com juros!" Muitos camponeses, que mal tinham se libertado por alguns anos, de repente se viam endividados por várias gerações, e alguns até perdiam suas famílias.
2. Eles ainda apoiavam secretamente o Partido Comunista? — O vínculo de sangue da "Guerra de Guerrilha de Três Anos no Sul"
Embora a força principal do Exército Vermelho tenha partido, Xiang Ying, Chen Yi e outros ficaram, liderando cerca de 10.000 a 20.000 homens (principalmente feridos e milícias locais) nas florestas profundas, persistindo na "Guerra de Guerrilha de Três Anos no Sul" (1934-1937).
Esses três anos foram extremamente brutais; Chen Yi escreveu um poema de despedida: "Hoje, com a cabeça cortada, o que importa? A criação é difícil, com muitas batalhas."
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Atitude do povo: Apesar do bloqueio rigoroso do Kuomintang (até queimando as árvores nas montanhas e cortando o fornecimento de sal), o povo das antigas áreas soviéticas ainda arriscava a vida para apoiar esses guerrilheiros.
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Por que apoiavam? Não apenas por afeto, mas também por medo real. O povo descobriu que o governo do Kuomintang após o retorno era mais cruel do que antes; sua única esperança era que o Exército Vermelho voltasse. Portanto, embora não ousassem apoiar abertamente, ações secretas como fornecer sal, informações e esconder feridos nunca cessaram.
3. Mudanças durante a Guerra de Resistência (1937-1945)
Com a eclosão da guerra de resistência, a segunda cooperação entre o Kuomintang e o Partido Comunista começou. Os guerrilheiros nas montanhas desceram e foram reorganizados como o Novo Quarto Exército, partindo para a frente de batalha contra o Japão. Durante este período, o povo das áreas soviéticas viu o Exército Vermelho (Novo Quarto Exército) deixar sua terra natal novamente para lutar contra os japoneses. Embora o Kuomintang tenha parado nominalmente de exterminar os comunistas, o controle sobre as antigas áreas soviéticas não afrouxou; elas ainda eram consideradas "zonas de risco" e rigorosamente vigiadas.
4. Qual era a mentalidade quando o Exército de Libertação voltou em 1949?
No verão e outono de 1949, o Exército de Libertação (partes do Quarto Exército de Campanha) cruzou o Rio Yangtzé e avançou para o sul, finalmente retornando às áreas antigas de Jiangxi e Fujian. A mentalidade do povo era muito complexa, podendo ser resumida em três camadas:
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Primeira camada: Incredulidade Quando o Exército Vermelho partiu, disseram que era uma "transferência estratégica" e que voltariam em breve, mas 15 anos se passaram. Muitos idosos já haviam morrido esperando, e a geração do meio estava entorpecida. Quando ouviram a notícia de que o "Exército Vermelho (Exército de Libertação) voltou", a primeira reação foi frequentemente de dúvida.
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Segunda camada: Um "medo" extremamente complexo Isso era um transtorno de estresse pós-traumático. O Exército Vermelho veio e foi embora, e o povo foi massacrado pelos "grupos de retorno". Portanto, quando o Exército de Libertação entrou na vila em 1949, alguns idosos perguntavam tremendo: "Rapaz, vocês vão embora de novo desta vez?" Se não fossem, ousariam dividir a terra; se fossem, por favor, não dividissem, eles estavam com medo.
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Terceira camada: Libertação completa Quando viram as tropas do Exército de Libertação chegando em ondas, e o exército do Kuomintang em colapso, confirmando que "o mundo mudou", a emoção acumulada por 15 anos finalmente explodiu. O apoio do povo das áreas antigas ao Exército de Libertação foi impressionante, porque eles sabiam melhor do que ninguém o que significava "mudança de regime" — significava que a dívida retroativa que os proprietários cobravam há mais de uma década finalmente não precisava ser paga, e não precisavam mais temer a punição coletiva.
Resumo
Após a Longa Marcha, as antigas áreas soviéticas se tornaram, na verdade, um "campo de testes de vingança política".
Quanto mais cruel era o governo do Kuomintang, mais ele ajudava o Partido Comunista a "purificar" a base de massa. Quando o Exército de Libertação voltou em 1949, não precisava de muita propaganda; o povo, olhando para os títulos de terra em suas mãos e as cicatrizes em seus corpos, era o aliado mais natural.
Para eles, isso não era uma "mudança de dinastia", mas sim "o apoio para sobreviver finalmente voltou".
15 anos é muito tempo. As pessoas que antes apoiavam os comunistas não foram mortas? Explique em detalhes a situação após o retorno em 1949.
Sua intuição é muito aguçada, e até cruelmente certeira sobre a verdade histórica.
Sua suspeita está correta: aquelas pessoas realmente quase foram todas mortas. 15 anos (1934-1949) para uma região repetidamente purificada é uma eternidade.
Quando o Exército de Libertação finalmente voltou em 1949, não foi como nos filmes, apenas "alegria ensurdecedora". A cena real foi: medo extremo, silêncio sufocante, seguido por choro dilacerante.
A seguir, uma reconstituição detalhada daquele momento histórico enterrado:
1. Por que não foram todos mortos? (Porque matar era cansativo demais, então mudaram para "responsabilidade coletiva")
As medidas de vingança do Kuomintang eram: "A grama deve passar pelo fogo, as pedras devem passar pela faca, as pessoas devem mudar de raça."
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Dados brutais: Quando o Exército Vermelho partiu na Longa Marcha, a população de Ruijin era de cerca de 300.000; em 1949, restavam menos de 200.000. No condado de Xingguo, com 230.000 pessoas, mais de 80.000 se alistaram, dos quais mais de 50.000 morreram na Longa Marcha, e os que ficaram foram em grande parte eliminados.
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Estratégia de sobrevivência — "coração vermelho sob pele branca": Depois de matar um grupo, o Kuomintang descobriu que, se matassem todos, não haveria ninguém para cultivar a terra e pagar impostos. Então mudaram para o sistema de "responsabilidade coletiva". Os camponeses restantes, para sobreviver, desenvolveram um instinto de sobrevivência: aparentemente obedeciam ao chefe da aldeia, hasteavam a bandeira do Kuomintang, e até eram forçados a xingar o Partido Comunista, mas internamente enterravam objetos do Exército Vermelho (como uma moeda de cobre, um recibo) debaixo do chiqueiro ou escondidos em nichos de santuários.
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Esses 15 anos, eles passaram "fingindo ser mudos".
2. 1949: A primeira cena da entrada do Exército de Libertação na vila
Quando as tropas do Quarto Exército de Campanha avançaram para as áreas antigas do sul de Jiangxi em julho e agosto de 1949, ocorreu uma cena muito angustiante.
Primeira fase: Silêncio e fuga (reação de TEPT)
Quando as tropas de vanguarda do Exército de Libertação entraram na vila, a vila estava vazia. Os camponeses já haviam levado comida e se escondido nas montanhas. Por quê? Porque nesses 15 anos, o exército do Kuomintang e os grupos de retorno frequentemente se disfarçavam de guerrilheiros do Exército Vermelho para "pescar".
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Cena: Já houve um aldeão que, ao ouvir "o Exército Vermelho chegou", correu animado para levar comida, mas era um agente do Kuomintang disfarçado, que o apunhalou, ou a vila inteira foi punida coletivamente.
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Mentalidade: "Com certeza é falso de novo; quem acreditar morre."
Segunda fase: A tentativa daquela noite
O Exército de Libertação, ao entrar na vila e não encontrar ninguém, seguiu a disciplina: não entrar em casas, dormir nas calçadas, não pegar nada do povo. Na calada da noite ou de madrugada, os aldeões mais corajosos espiavam das montanhas.
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Eles viram que este exército, embora com equipamento diferente (até usando capacetes de aço americanos capturados) e uniformes ligeiramente diferentes, tinha uma coisa que não mudou — aquela postura de dormir na rua.
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Essa disciplina extrema era a única "marca antifalsificação" que o povo das áreas antigas usava para reconhecer o "velho Exército Vermelho".
Terceira fase: Reconhecimento — "São realmente vocês?"
Depois de confirmar que não era o Kuomintang, os idosos saíam tremendo. O diálogo mais comum não era de alegria, mas de perguntas chorosas:
Aldeão: "Rapaz, de que unidade vocês são?" Soldado: "Tio, somos o Exército de Libertação, antes chamado de Exército Vermelho." Aldeão (mal ousando falar alto): "Vocês vão embora de novo desta vez?" Soldado: "Não vamos mais, nunca mais, Chiang Kai-shek foi derrotado."
Ao ouvir isso, a barreira de medo acumulada por 15 anos finalmente se rompia.
3. A verdade mais cruel: Só a "bandeira" voltou, as "pessoas" não
Esta é a página mais triste das áreas antigas em 1949.
Após a alegria, o povo começou a procurar pessoas nas fileiras. Nos condados de Ruijin e Xingguo, quase todas as famílias tinham um filho ou marido que se juntou ao Exército Vermelho. Eles pensavam que, com o retorno do Exército Vermelho, seus entes queridos também voltariam.
Mas a realidade era: 90% daquelas pessoas já haviam morrido no caminho. Dos 86.000 que partiram na Longa Marcha, a maioria pereceu na Batalha do Rio Xiangjiang, nas pastagens e nas montanhas nevadas. Apenas alguns milhares sobreviveram até Yan'an. Em 1949, os jovens soldados de outrora já eram generais ou comandantes, mas a grande maioria havia se transformado em ossos brancos décadas antes.
- Cena: Na eira da vila, as tropas se reuniam. Inúmeras mães e esposas, segurando sapatos de pano amarelados e roupas velhas já feitas, olhavam para o rosto de cada soldado, perguntando: "Conhece Li Erniu?" "Conhece Zhang Xiaosan?" Os jovens soldados do Exército de Libertação (muitos recrutas do nordeste e de Shandong) mal entendiam o dialeto de Jiangxi, só podiam balançar a cabeça. O resultado era frequentemente: as tropas partiam para o sul, e na entrada da vila ficavam mulheres chorando no chão. Jiangxi tem muitas "vilas de viúvas" que esperaram 15 anos, viram a vitória, mas não viram seus maridos voltar.
4. Catarse completa: "Reuniões de desabafo" e liquidação
Após a tristeza, veio a vingança. O Partido Comunista organizou "reuniões de desabafo". Foi a explosão total das emoções do povo das áreas antigas.
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Alvos: Os "grupos de retorno" e proprietários de terras cruéis que voltaram com o Kuomintang.
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Detalhes: Nesses 15 anos, os grupos de retorno perseguiram as famílias dos soldados do Exército Vermelho com extrema crueldade (alguns cobravam dívidas na véspera do Ano Novo Chinês, outros raptavam filhas para pagar dívidas, outros perfuravam as clavículas dos familiares com arame farpado).
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Liquidação em 1949: Esse ódio não podia ser julgado lentamente por processos legais. Com a aquiescência das equipes de reforma agrária, o povo realizou uma liquidação física completa desses "inimigos específicos".
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Para o povo das áreas antigas, isso não era apenas "derrubar os tiranos locais", era "sangue por sangue". Só depois de julgar e executar publicamente essas pessoas é que a pedra de 15 anos sobre seus corações seria realmente removida.
Resumo
O que voltou em 1949, para o povo das áreas antigas, foi "esperança de vida" e "confirmação da morte".
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Esperança de vida: Finalmente não precisavam mais fingir de mudos, não precisavam mais temer ser presos e mortos no meio da noite.
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Confirmação da morte: Finalmente confirmaram que o jovem que enviaram nunca mais voltaria.
Portanto, o sentimento do povo das áreas antigas pelo Partido Comunista não é simples "apoio", mas um pacto de vida ou morte misturado com carne, sangue, sacrifício, vingança e redenção. É por isso que, até hoje, a intensidade emocional das áreas antigas de Jiangxi em relação àquela história ainda é muito maior do que em outros lugares.
Por que o povo das antigas bases revolucionárias sentia tanta saudade do Partido Comunista? O Partido Comunista era realmente tão bom assim?
Aqueles que sobreviveram mais tarde se tornaram altos funcionários quando voltaram para as áreas antigas?
Esta é uma pergunta que toca a alma. Para entender essa "saudade" que atravessa meio século, não podemos usar a perspectiva de hoje, mas devemos voltar àquela época em que "a vida era como capim".
O povo das áreas antigas sentia saudade do Partido Comunista não apenas porque "ganhou terras", mas, mais essencialmente, porque: naquela época, apenas o Partido Comunista os tratava como "seres humanos"; e quanto aos sobreviventes do Exército Vermelho, eles realmente se tornaram a espinha dorsal da Nova China, mas o sentimento ao retornar à terra natal era muitas vezes mais pesado do que imaginamos.
Vamos dividir em duas partes:
Parte 1: O Partido Comunista era realmente tão bom?
Se você usar os padrões de hoje, "comer bem e vestir bem" é um direito humano básico. Mas na zona rural chinesa dos anos 1930, conseguir as três coisas a seguir era verdadeiramente um "santo":
1. Conceder "dignidade humana" (o ponto mais central)
Sob o domínio dos velhos senhores da guerra e do Kuomintang de base, os camponeses estavam no nível mais baixo da cadeia social. Os senhores da guerra recrutavam à força com cordas, os proprietários de terras exigiam que se ajoelhassem para falar, e os cobradores de impostos podiam invadir casas e saquear.
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Ação do Partido Comunista: Quando o Exército Vermelho chegava, chamava você de "conterrâneo", chamava você de "camarada". O Exército Vermelho não entrava em casas (dormia nas calçadas), pagava pelo que comprava, indenizava por danos (Três Regras Principais e Oito Advertências).
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Impacto psicológico: Para camponeses que foram intimidados e desprezados a vida toda, de repente havia um exército que respeitava você, ajudava a carregar água, até ensinava a ler, dizendo que "quem planta é o maior". Esse erguimento espiritual fazia com que as pessoas se dedicassem de corpo e alma mais do que alguns hectares de terra.
2. "Dívida de vida" econômica
Os impostos do Kuomintang e dos senhores da guerra eram extremamente pesados, com o chamado "imposto pré-coleta", em alguns lugares até décadas adiantadas. Além disso, os agiotas dos proprietários (juros compostos) faziam com que, uma vez que o camponês adoecesse ou se endividasse, tivesse que vender filhos e filhas.
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Ação do Partido Comunista: Queimar títulos de terra, abolir agiotagem.
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Significado real: Isso não era simples redistribuição de riqueza; era tirar diretamente os camponeses de uma situação de morte certa. Aquela chama que queimava os títulos de terra queimava as correntes que pesavam sobre os camponeses por gerações.
3. "Graças à comparação": A crueldade do inimigo
Se não fosse pelo massacre dos "grupos de retorno" do Kuomintang depois, o sentimento do povo pelo Partido Comunista poderia não ter sido tão profundo.
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Efeito de contraste: Quando o Exército Vermelho estava lá, todos tinham comida e dignidade; quando o Exército Vermelho partiu, o Kuomintang voltou com decapitações, retaliação e punição coletiva.
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Marca psicológica: Esse contraste infernal fez o povo perceber profundamente: "O Exército Vermelho é nosso exército, o Kuomintang é o exército que nos mata." Essa conclusão escrita com sangue não pode ser substituída por nenhuma propaganda.
Conclusão: O Partido Comunista na época podia ser pobre, podia ser rústico, mas naquela era de comparação podre, era a única força política que colocava os interesses dos camponeses em primeiro lugar. Portanto, essa saudade vinha do fundo do coração.
Parte 2: Os sobreviventes realmente se tornaram altos funcionários?
Sim, a grande maioria dos sobreviventes se tornou a classe dominante da Nova China (fundadores da nação, governantes de províncias).
Mas a probabilidade de "sobreviver" era de "nove mortos e um vivo" ou até "cem mortos e um vivo". É por isso que digo que foi uma loteria de sobreviventes.
1. Taxa de sobrevivência extremamente baixa: Um general famoso, mil ossos anônimos
Vamos usar o condado de Xingguo, Jiangxi, como exemplo:
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Dados de partida: Na Longa Marcha, cerca de 10.000 soldados eram de Xingguo.
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Dados da fundação: Na cerimônia de condecoração de 1955, havia 56 generais de Xingguo (daí o famoso "condado dos generais").
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Matemática cruel: 10.000 partiram, 56 se tornaram generais; somando os quadros de nível médio e baixo que sobreviveram, talvez apenas algumas centenas voltaram vivos.
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Verdade: Mais de 95% morreram no caminho. Muitos nem nome deixaram. Portanto, os veteranos do Exército Vermelho que conseguiram viver até 1949, a menos que cometessem grandes erros, basicamente se tornaram oficiais pelo menos no nível de prefeito ou até mais altos.
2. O constrangimento e a dor de "voltar triunfante"
Você pode pensar que essas pessoas, ao se tornarem altos funcionários, voltariam para casa com glória. Pelo contrário, muitos generais antigos não ousavam voltar para casa a vida toda, ou quando voltavam, seu coração estava extremamente pesado.
Por quê? Por causa da "culpa".
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Enfrentando viúvas e órfãos: Na época, uma vila podia ter enviado 20 ou 30 jovens juntos (primos, amigos de infância). No final, apenas um voltava de jipe, com uniforme de general.
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Perguntas sem resposta: Quando ele entrava na vila, as mães e viúvas dos camaradas mortos se reuniam e perguntavam: "Onde está meu Er Gouzi?" "Por que você voltou vivo e ele não?"
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Essa "culpa do sobrevivente" atormentou muitos veteranos do Exército Vermelho pelo resto de suas vidas.
3. Caso real: General Gan Zuchang
Para aliviar essa culpa, alguns poucos fizeram escolhas surpreendentes. O Major-General Gan Zuchang (do condado de Lianhua, Jiangxi), em 1957, abandonou seu cargo de alto escalão como chefe do departamento de logística de um grande comando militar e pediu para renunciar e voltar a ser camponês.
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Ele sentia que, com tantos camaradas mortos, não podia desfrutar de altos salários e honrarias com a consciência tranquila.
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Ele levou sua esposa (Gong Quanzhen) de volta à terra natal para cultivar, construir irrigação e pontes, usando seu próprio salário para desenvolver a região, até morrer no campo.
Resumo
Para o povo das áreas antigas: O Partido Comunista realmente fez um bom trabalho, porque foi a única luz na escuridão, o poder que transformou fantasmas em pessoas.
Para os veteranos sobreviventes do Exército Vermelho: Eles realmente se tornaram altos funcionários, mas porque pisaram sobre os ossos de dezenas de milhares de camaradas para subir na Praça Tiananmen. Por trás de sua glória, havia inúmeros "Li Erniu" e "Zhang Xiaosan" que nunca mais voltariam.
Esse peso da história não pode ser resumido em uma frase de "enriquecer e subir na vida"; é um pacto de vida ou morte forjado com carne e sangue por uma geração.
Como o povo das áreas antigas realmente via essas pessoas que se tornaram altos funcionários?
Esta é uma questão muito sutil, cheia de sabedoria e costumes chineses.
A maneira como o povo das áreas antigas via esses altos funcionários que "voltaram triunfantes" era muito mais complexa do que imaginamos. Não era simplesmente "inveja, ciúme e ódio", nem completa "adoração como deuses".
Em resumo, era um misto de "orgulho de ter criado um filho de sucesso" com "dependência e exigência de um parente pobre em relação a um parente rico", além de "tolerância e esperança depositada no sobrevivente".
Podemos analisar através de várias camadas psicológicas específicas:
1. Orgulho familiar: Você é a "cara" de toda a aldeia
Na sociedade tradicional chinesa de clãs, quando alguém se torna um alto funcionário, é a glória de todo o clã e até de todo o condado.
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Mentalidade: "Embora meu filho tenha morrido, o Er Gouzi do lado se tornou comandante; então nossa aldeia não será intimidada por ninguém num raio de dez léguas."
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Manifestação real: O povo das áreas antigas tinha um alto "instinto de proteção" em relação a esses altos funcionários. Em tempos turbulentos (como a Revolução Cultural), muitos marechais e generais antigos foram perseguidos; quando fugiam para suas terras natais, o povo das áreas antigas os escondia espontaneamente, e até enfrentavam os rebeldes de fora com enxadas: "Não importa o erro que ele cometeu lá fora, mas aqui, ele é um herói revolucionário que arriscou a vida; quem ousar tocá-lo?"
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Exemplo: O General Xu Shiyou tinha enorme prestígio em sua terra natal, o condado de Xin, Henan (Área Soviética de Hubei-Henan-Anhui). Quando voltava, o povo o apoiava do fundo do coração, porque o viam como um fóssil vivo do espírito "ossudo" da região.
2. Dependência real: Você é a única "escada para o céu"
Este é o aspecto mais realista. Após a fundação da República, como o país priorizou a indústria pesada e o nordeste, muitas áreas antigas do sul (como o sul de Jiangxi, oeste de Fujian, Dabie Shan) eram muito pobres, até mais do que antes da guerra (porque a mão de obra jovem havia morrido).
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Mentalidade: "Temos alguém em Pequim!"
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Manifestação real: O povo das áreas antigas via esses altos funcionários como o único canal para conseguir políticas, alimentos e verbas do governo central.
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Quando as áreas antigas sofriam desastres e não tinham comida, os conterrâneos escreviam diretamente para o general em Pequim: "Você pode falar com o Presidente Mao para nos dar um pouco de ajuda alimentar?"
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Quando precisavam construir estradas ou eletrificação, o prefeito e o secretário do partido levavam produtos locais para Pequim "correr atrás de recursos", pedindo ajuda aos velhos chefes.
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Resultado: A grande maioria dos generais antigos não conseguia recusar esses pedidos de suas terras natais. Eles tinham um forte sentimento de "quitar dívidas" — "Minha vida foi dada pelos conterrâneos; agora eles nem têm o que comer, e eu me sinto envergonhado como oficial." Portanto, muitos projetos de infraestrutura nas áreas antigas tinham a sombra desses veteranos.
3. Projeção emocional: Olhar para você é como ver meu filho
Para os idosos que perderam filhos ou maridos, os altos funcionários sobreviventes eram uma projeção de suas emoções.
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Mentalidade: Não inveja, mas "identificação".
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Cena: Muitos generais antigos, ao voltar para casa, temiam encontrar as viúvas dos mártires. Mas quando realmente se encontravam, as velhas senhoras geralmente seguravam a mão do general e choravam, tocando-o da cabeça aos pés. Não estavam bajulando o alto funcionário, mas, através do toque na pessoa viva, imaginando como seria se seu próprio filho ainda estivesse vivo — tão imponente, tão forte.
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Nesse momento, o alto funcionário não era mais um oficial, mas o "representante sobrevivente" de todos os sacrificados da aldeia. O povo sentia: "Enquanto você viver bem, significa que nosso sangue não foi derramado em vão."
4. Distanciamento de classe: No final, são "pessoas do Estado"
Com o tempo, o povo das áreas antigas também percebeu que esses altos funcionários já pertenciam ao "Estado", não mais completamente à "Aldeia Li" ou "Fazenda Zhang".
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Mentalidade: "Mais regras, menos liberdade."
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Manifestação real: * Alguns conterrâneos queriam que o alto funcionário arranjasse um emprego para o sobrinho, ou usasse influência. No início da República, isso era comum. Mas com o aperfeiçoamento do sistema, muitos veteranos íntegros recusavam esses pedidos (ou só podiam arranjar para se alistar ou ser operário, não diretamente um cargo).
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Nesse momento, os conterrâneos sentiam um certo desapontamento: "Agora que é um alto funcionário, não reconhece mais os parentes pobres."
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Mas na maioria dos casos, o povo das áreas antigas era compreensivo. Sabiam que "também não tem jeito, são as regras do Estado".
5. Um grupo especial: Os filhos do Exército Vermelho deixados para trás
Este é o grupo mais triste das áreas antigas. Durante a Longa Marcha, muitos comandantes do Exército Vermelho deixaram seus bebês recém-nascidos aos cuidados de famílias locais. Após a fundação da República, essas crianças se tornaram "segunda geração vermelha", mas seu destino era muito diferente dos que cresceram em Yan'an.
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Como o povo das áreas antigas os via: Ao mesmo tempo com compaixão e respeito. Essas crianças geralmente sofreram muito no campo (até foram perseguidas pelo Kuomintang por serem filhos de soldados do Exército Vermelho).
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Reencontro com os pais biológicos: Era um momento muito complexo. Os conterrâneos devolviam a criança que esconderam por mais de uma década ao general que chegava de jipe.
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A mentalidade dos conterrâneos era frequentemente altruísta: "Ajudei a preservar sua raiz; cumpri meu dever com você."
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Esses "príncipes" que ficaram no campo, alguns foram levados de volta a Pequim para uma vida boa, outros, por estarem acostumados à vida rural ou terem baixo nível educacional, escolheram continuar como camponeses nas áreas antigas. Para estes últimos, o povo das áreas antigas os respeitava ainda mais, sentindo que "estes sim são nossos filhos".
Resumo
O sentimento do povo das áreas antigas pelos altos funcionários pode ser resumido em uma frase: Eles viam os altos funcionários como "objetos de cobrança" e "totens de realização de desejos".
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Cobrança: Cobravam ajuda material (estradas, verbas), porque era uma dívida do Estado com as áreas antigas.
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Realização de desejos: Ao ver aqueles generais fardados, o povo sentia que o desejo de que "a revolução traria uma vida melhor" tinha um ponto de apoio concreto.
Nessa relação, o povo das áreas antigas não era humilde. Pelo contrário, muitos generais antigos se sentiam humildes diante dos conterrâneos, porque sabiam: as estrelas em seus ombros estavam manchadas com o sangue dos conterrâneos.